segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MARIQUINHA PIRRACENTO

Quem foi criança quando ainda havia turminhas de rua, deve lembrar-se que todas tinham seu filhinho de papai ruim de bola, só admitido nas  peladas por ser o dono da dita cuja.

Às vezes, cansado de ser escolhido sempre para o gol e das gozações que acompanhavam cada frango, ele ia embora com a redonda debaixo do braço, acabando com a diversão da garotada.

É o que os Estados Unidos vão fazer com a Unesco, agência cultural da ONU.

Por discordarem da admissão da Palestina como membro pleno, os EUA levarão a bola pra casa (no caso, os fundos de US$ 60 milhões que lhe destinavam), privando-a de 22% do seu orçamento bianual.

A entrada dos palestinos foi decidida por 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções.

Ou seja, democraticamente, 62% dos países-membros aprovaram.

E, antidemocraticamente, uma das nações discordantes teve reação característica de mariquinha pirracento.

QUEM TEM MEDO DA REVOLUÇÃO?

Um espectro ronda a esquerda: o  espectro da revolução.

Pelo mundo inteiro pipocam manifestações contra a ganância, essência do capitalismo -- com uma força e abrangência que não se viam desde as primaveras de 1968.

E, quando as rodas da História começam de novo a girar, após quatro décadas de marasmo e consumismo, a esquerda  moldada na fase do refluxo revolucionário  não consegue acompanhar os ventos de mudança.

Continua defendendo com unhas e dentes os regimes híbridos que sustentaram nossa fé nos anos difíceis, sem acordar para a realidade de que estamos ingressando numa época na qual podemos novamente sonhar com -- e devemos novamente lutar por -- uma revolução nos moldes clássicos.

Ou seja, internacional e desencadeada de baixo para cima, tendo os explorados como sujeito e não como objeto. 

Chega de abençoarmos aquelas ditaduras instauradas por quarteladas que, qual fazendas modelos,  cuidavam bem do seu gado enquanto não tugisse nem mugisse! Não são e nunca foram o que, marxistas e anarquistas, tínhamos como meta, mas, aos olhos dos cidadãos despolitizados e manipulado pelas indústria cultural, acabam se identificando conosco, como se fôssemos totalitários e carniceiros. 

O panorama que hoje se vislumbra é muito mais grandioso. Como Vandré cantou em 1968, temos de novo a certeza na frente e a História na mão.

BECO  SEM SAÍDA

Já faz quase um século que os movimentos revolucionários desviaram por atalho que acabou conduzindo a um beco sem saída.

O desvio foi decidido às vésperas da revolução soviética, quando o Partido Bolchevique discutiu dramaticamente se valia a pena tomar-se o poder num país atrasado, contrariando duas premissas marxistas: a da revolução internacional e a da construção do socialismo a partir das nações economicamente mais pujantes (e não o contrário!).

Foi uma avaliação arguta ou um dom profético que levou Marx a pregar uma tomada de poder em escala global?  A História comprovaria ser o capitalismo tão poderoso que, se nações isoladas tentam edificar uma sociedade mais justa, ou são por ele esmagadas, ou sobrevivem ao preço da descaracterização de suas propostas originais..

"...embora a Rússia não estivesse pronta para o
socialismo, serviria como estopim da revolução mundial..."
Em 1917, prevaleceu o argumento de que, embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como estopim da revolução mundial, começando pela revolução alemã, prevista para questão de meses. Então, o atraso econômico russo seria contrabalançado pela prosperidade alemã; juntas, efetuariam uma transição mais suave para o socialismo.

Deu tudo errado. A reação venceu na Alemanha, a nova república soviética só pôde depender de si mesma e, após rechaçar bravamente as tropas estrangeiras que tentaram restabelecer o regime antigo, viu-se obrigada a erguer uma economia moderna a partir do nada.

Quando o ardor revolucionário das massas arrefeceu -- não dura indefinidamente, em meio à penúria --, a mobilização de esforços para superação do atraso econômico acabou se dando por meio da ditadura e do culto à personalidade.

A Alemanha nazista era o espantalho que impunha urgência: mais dia, menos dia haveria o grande confronto e a URSS precisava estar preparada. O stalinismo foi engendrado em circunstâncias dramáticas.

A república soviética acabou salvando o mundo do nazismo -- foi ela que quebrou as pernas de Hitler, sem dúvida! --, mas perdeu sua alma: já não eram os trabalhadores que estavam no poder, mas sim uma odiosa  nomenklatura.

Concretizara-se a profecia sinistra de Trotsky: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

Com uma ou outra nuance, acabou sendo este o destino das revoluções que tentaram edificar o  socialismo num só país: foram  isoladas, tornaram-se autoritárias e não tiveram pujança econômica para competir com o mundo capitalista, acabando por sucumbir ou por se tornarem modelos híbridos (como o chinês, que mescla capitalismo de estado na economia com despotismo stalinista na política).

E AGORA, JOSÉ?

Agora, só nos resta voltarmos ao princípio de tudo: Marx.

Reassumirmos a tarefa de engendrar  a onda revolucionária que varrerá o mundo.

Esquecermos a heresia de solapar o capitalismo a partir dos seus elos mais fracos, pois o velho barbudo estava certíssimo: as nações economicamente mais poderosas é que determinam a direção para a qual as demais seguirão, e não o contrário.

Isto, claro, se tivermos como meta a condução da humanidade a um estágio superior de civilização. Pois o cerco das nações prósperas pelos rústicos e atrasados já vingou uma vez, quando Roma sucumbiu aos bárbaros... e o resultado foi um milênio de trevas.

Se, pelo contrário, quisermos cumprir as promessas originais do marxismo, as condições hoje são bem propícias do que um século atrás:
"...crises tão agudas que só unidos e 
solidários conseguiremos sobreviver..."
  • o capitalismo já cumpriu seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas e está tendo sobrevida cada vez mais parasitária, perniciosa e destrutiva -- tanto que mantém a parcela pobre da humanidade sob o jugo da necessidade quando já estão criadas todas as premissas para o  reino da liberdade, e o 1º mundo sob o jugo da competitividade obsessiva, estressante e neurótica, quando já estão criadas todas as premissas para uma existência fraternal, harmoniosa e criativa;
  • os meios de comunicação que ele desenvolveu, como a internet, facilitam a disseminação e coordenação dos movimentos revolucionários em escala mundial, de forma que um novo 1968, p. ex., hoje seria muito mais abrangente (está longe de ser utópica, agora, a possibilidade de uma onda revolucionária varrer o mundo);
  • a necessidade de adotarmos como prioridade máxima a colaboração dos homens para promover o bem comum, em lugar da ganância e da busca de diferenciação e privilégio, será dramatizada pelas consequências das alterações climáticas e da má gestão dos recursos imprescindíveis à vida humana, gerando crises tão agudas que só unidos e solidários conseguiremos sobreviver.
Nem preciso dizer que a forte componente libertária original do marxismo tem de ser reassumida, pois os melhores seres humanos, aqueles dos quais precisamos, jamais nos acompanharão de outra forma (esta é uma das conclusões mais óbvias a serem tiradas dos acontecimentos das últimas décadas).

A bandeira da liberdade deve ser empunhada de novo pelos que realmente a podem concretizar, não pelos que só têm a oferecer um cativeiro com as grades introjetadas, pois a indústria cultural as martela dia e noite na cabeça dos  videotas.

É este o edifício sólido que podemos começar a construir com os tijolos do muro de Berlim e tantos outros muros tombados.

E é esta a postura com que poderemos nos afirmar como o que devemos e temos a obrigação de ser: a vanguarda dos  indignados  de todos os quadrantes.

domingo, 30 de outubro de 2011

OS PREDADORES DE WALL STREET SÃO REACIONÁRIOS NO LIMITE DA INSANIDADE

A garimpagem matutina de assuntos interessantes para o blogue foi decepcionante neste domingo.

Sou do tempo em que a doença de um indivíduo em particular não era assunto de domínio público, a ser esmiuçado por legiões de bisbilhoteiros; não comento as minhas nem gosto de saber a dos outros. Detesto a devassa da intimidade característica da sociedade de consumo, na qual não só bugigangas, mas até nossas dores são expostas na vitrine.

A Fórmula 1, tema domingueiro, virou festival de caçapas cantadas. O Vettel ganhou de novo, o Massa e o Hamilton trombaram de novo. Qual é a graça?

Somos 7 bilhões, mas seremos bem menos quando as catástrofes incubadas pelo capitalismo desabarem sobre nós, nas próximas décadas. Não vou repetir o que já disse em outras ocasiões, como as vitrolas quebradas do passado.

Então, à falta do pertinente e do surpreendente, fiquemos com o já (mas mal) conhecido. Trata-se, aliás, do que mais importa neste momento, embora toda a direita e parte da esquerda prefiram minimizar sua importância: a nova onda de manifestações anticapitalistas em escala global, algo que não se via desde 1968.

Uma análise estimulante é a do comentarista Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa: A pauta que não quer calar. Sem concordar integralmente  – para mim, o alvo inicial dos  indignados  pode ser o capital financeiro, mas o final acabará sendo o capitalismo como um todo –, considero que vale a pena conhecê-la e refletir sobre ela.

Recomendando, como sempre, a leitura da íntegra, destaco os trechos principais:
 "A roda da História está se movendo e a imprensa tradicional parece não se dar conta. Já passa de um milhar de cidades em quase uma centena de países o total de concentrações de cidadãos indignados que produzem o movimento de movimentos cuja denominação a nomenclatura conservadora dos fatos sociais ainda não conseguiu definir.
...os indignados pertencem, na maioria, à chamada  geração Y  – cujos valores e visão de mundo se colocam em total contraposição aos dos yuppies, que a partir do final dos anos 1980 se apossaram da liderança dos grandes negócios e da condução dos humores do mercado.

Os indignados são essencialmente diferentes da chamada  geração X, na qual são classificados os predadores de Wall Street, que gozaram a infância no final dos 30 anos gloriosos e, quando jovens adultos, entenderam que precisavam cuidar pessoal e egoisticamente de seus interesses.

...A atual geração que chega à idade adulta após o advento da internet encontrou o mundo preparado para outros 30 anos de bem-estar e evolução: as novas tecnologias reinventam os negócios, a inovação lança ininterruptamente na rotina aparelhos e sistemas que ampliam o alcance do conhecimento, alargam-se os horizontes geográficos para a ação estimulante do capital.

O que é, então, que não está dando certo?
 O que está destoando desse contexto é justamente a  geração X, que se aquartelou no capital financeiro, entranhou-se nas instituições do poder – entre elas a imprensa tradicional – e, envelhecida precocemente, não consegue enxergar as possibilidades do novo século.
O mal-estar no ambiente da globalização vincula-se claramente à incompatibilidade dos interesses do setor financeiro – chamado genericamente de  o mercado – com as necessidades e interesses da sociedade em geral.

No momento em que a inovação tecnológica oferece soluções para o desenvolvimento sustentável, a irresponsabilidade individualista dos remanescentes da geração X ameaça colocar tudo a perder. Eles se tornaram mais do que conservadores – são reacionários no limite da insanidade.

Podem ser claramente identificados nos conselhos de grandes conglomerados transnacionais, no comando dos gigantescos fundos de investimento e nas chefias de muitos governos importantes. Mas também estão presentes em postos de direção dos grandes grupos de mídia – valorizados como mão de obra qualificada por sua obediência cega aos cânones do chamado fundamentalismo de mercado.

...ao contrário do que alardearam os jornais no fim do século passado, a História não acabou. Ela se desenrola hoje nas ruas de todo o planeta com a manifestação dos novos protagonistas. Mas a imprensa tradicional ainda não entendeu, ou não quer entender".

sábado, 29 de outubro de 2011

É AFRONTOSA A PRESENÇA DA REPRESSÃO NO CAMPUS DA USP!!!

Na última eleição presidencial, fui criticado no 1º turno pelos petistas, ao rechaçar a pregação antecipada do voto útil, contrapondo que o coerente seria apoiarmos inicialmente os candidatos com assumida postura anticapitalista; e pelas tendências mais sectárias da esquerda, ao destacar no 2º turno o imperativo de evitarmos o retrocesso que seria uma presidência mancomunada com a direita mais tacanha e com as  viúvas da ditadura.

Uma amostra do que poderia estar ocorrendo em escala nacional é a afrontosa presença da repressão no campus da USP, iniciada no governo de José Serra e consolidada no de Geraldo Alckmin. Trata-se da recaída numa das piores práticas da ditadura militar. 

Que falta faz um d. Paulo Evaristo Arns na plenitude de seu vigor, como estava em 1977, quando encabeçou o repúdio à invasão da PUC pelos vândalos fardados,  proferindo, então, esta frase antológica: "Na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo e não para destruir as coisas"!

Como expressão de minha indignação face à escalada repressiva tucana e do meu irrestrito apoio aos estudantes da USP, reproduzo na íntegra a nota do Movimento de Ocupação: 

"Na última quinta-feira, dia 27 de outubro, por volta das 18h, três estudantes foram abordados dentro de seu carro, pela polícia militar, no estacionamento da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Estes estudantes tiveram seus documentos confiscados e seu carro revistado por estarem, segundo a polícia, consumindo maconha.

Esta não foi a primeira vez que a PM entrou no campus para reprimir estudantes. Trata-se de mais uma demonstração da política de repressão que vem sendo imposta na Universidade pelo reitor João Grandino Rodas, investigado por corrupção pelo Ministério Público. Este reitor, que não foi eleito pela comunidade universitária, tem uma ampla ficha de repressão aos estudantes e movimentos sociais.

A repressão foi acentuada com a assinatura de um convênio (entre a reitoria da USP e a PM) que foi firmado em setembro deste ano, sem a mínima consulta à comunidade universitária. Este convênio permite a entrada ostensiva da polícia no campus e prevê a instalação de quatro bases militares no campus Butantã. Os policiais têm abordado indiscriminadamente estudantes e trabalhadores. Com isso, o Reitor tenta impor seu projeto de privatização da Universidade, que já vem se concretizando através da terceirização e a precarização do trabalho e ensino.

A abordagem da PM indignou os estudantes, que começaram a se reunir em volta dos policiais buscando impedir uma ação mais violenta contra os alunos. Mais de quinhentos estudantes se uniram para impedir a prisão dos três universitários que haviam sido abordados. A polícia continuou irredutível e chamou reforços, totalizando 15 viaturas, só no estacionamento da FFLCH. Com o aumento da força policial mais estudantes se juntaram para defender a autonomia da universidade, se posicionando contra a repressão policial.

Em um ato de protesto contra a repressão, centenas de estudantes se colocaram em frente as viaturas para evitar a detenção dos estudantes. A partir deste momento, os políciais, que estavam, em sua maioria, sem identificação pessoal, partiram para um violento confronto físico, saindo do campo das ameaças e ofensas verbais para agressões com gás lacrimogênio, spray de pimenta, bala de borracha e cassetete.

Diante da truculência da polícia, os estudantes, que se mobilizaram contra a repressão e a violência, se defenderam conforme podiam. Após três horas de tencionamento e meia hora de confronto físico, os polícias deixaram a universidade. Os estudantes não se deixaram intimidar pela violência da polícia. Após a assembleia realizada pelos mais de quinhentos presentes foi decido pela ocupação da Administração da FFLCH como forma de lutar contra a repressão na USP.

Seguiremos ocupados até que o convênio (USP- PM) seja revogado pela reitoria, proibindo a entrada da polícia militar no campus em qualquer circunstancia, bem como a garantia de autonomia nos espaços estudantis, como o Núcleo de Conciência Negra, a Moradia Retomada, o Canil_Espaço Fluxus de Cultura da USP, entre outros. Continuaremos aqui até que se retirem todos os processos crimininais e administrativos contra os estudantes, professores e funcionários".

O REINO DA LIBERDADE E AS FAZENDAS-MODELO

"A praça é do povo!
Como o céu é do condor.
É o antro onde a liberdade
cria águias em seu calor".
(Castro Alves)

Está no noticiário:
"Forças de segurança da Síria atacaram ativistas pró-democracia ontem, deixando mais de 30 mortos.

Os protestos pela saída do ditador Bashar Assad já duram sete meses. O governo tem reagido com truculência. A ONU estima que os conflitos deixaram 3.000 vítimas até agora.

Ativistas afirmam que as forças de segurança perseguiram os manifestantes ontem (6ª, 28), atirando com metralhadoras. As linhas telefônicas e a internet foram suspensas.

Os pontos de maior conflito foram Homs e Hama, na região central do país. São áreas de forte oposição ao regime.

A Síria restringe a entrada de jornalistas no país, o que impede a averiguação independente das informações".
Ao contrário de Muammar Gaddafi, o  açougueiro de Damasco  não é defendido nem mesmo pelo mais tacanho dos esquerdistas autoritários.

O que, entretanto, não tem implicado um posicionamento firme e manifestações de repúdio a este tirano indiscutivelmente cruel e repulsivo.

É chocante e lamentavel: a esquerda parece ter perdido a capacidade de indignar-se contra a bestialidade dos déspotas.

Quando há justificada revolta contra eles, fica com um pé na frente e outro atrás, temendo que seja instigada pelo imperialismo, para colher qualquer vantagem econômica ou política.

Exatamente como fez quando da revolução húngara de 1956 e da  Primavera de Praga  em 1968.

Das duas grandes bandeiras da humanidade através dos tempos -- a justiça social e a liberdade --, estamos, obtusamente, abdicando da segunda.

Com isto, deixaremos de encarnar as esperanças numa sociedade que possibilite a realização plena do ser humano, em termos materiais e espirituais.

O maravilhoso objetivo final de Karl Marx -- a instauração do "reino da liberdade, para além da necessidade" -- é trocado, na prática, por outro bem mais prosaico, a instalação de fazendas-modelo, nas quais os animais sejam bem tratados enquanto se mantiverem submissos à vontade dos amos.

Então, quando as manifestações anticapitalistas deixam de ser necessariamente manifestações comunistas ou anarquistas, como está acontecendo na Europa, não temos do que nos queixar. Somos nós mesmo que estamos atraindo descrédito para nossas causas, pois as amesquinhamos em nome de um pretenso realismo político.

É hora de, escutando a voz das ruas, voltarmos a trilhar os caminhos de Marx e Proudhon.

Ou desempenharemos papel secundário neste momento em que as vítimas do capitalismo começam a despertar de sua letargia, depois de quatro décadas de conformismo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A COMISSÃO DA VERDADE PROPICIARÁ AÇÕES CIVIS CONTRA OS TORTURADORES?

Está na Folha de S. Paulo:
"A Comissão da Verdade poderá abrir caminho para uma onda de ações judiciais contra militares e outros agentes responsáveis por violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985).

O objetivo dessas ações seria obrigá-los a ressarcir aos cofres públicos o dinheiro gasto pelo governo com indenizações a vítimas do regime militar nos últimos anos.

Essa possibilidade não é prevista pela lei que cria a comissão, que foi aprovada pelo Senado anteontem e agora só depende da sanção da presidente Dilma Rousseff para entrar em vigor.

Mas advogados e funcionários do governo que acompanham de perto as discussões sobre o assunto disseram à Folha que as ações serão uma consequência provável do trabalho da comissão.

Na avaliação dessas pessoas, essas ações não contrariam a Lei da Anistia, de 1979, porque ela só teria anistiado 'crimes políticos' cometidos durante a ditadura e outros crimes associados a eles.

A base jurídica para as ações estaria no artigo 37 da Constituição, segundo o qual o Estado deve cobrar ressarcimento na Justiça sempre que um agente estatal gerar dano aos cofres públicos.

Assim, se a Comissão da Verdade provar que um militar torturou um militante de esquerda, e que a tortura levou esse militante a receber uma indenização do governo mais tarde, o militar poderia ser processado para ressarcir o dinheiro gasto.

Desde 2001, o governo pagou cerca de R$ 4 bilhões em indenizações a vítimas da ditadura que recorreram à Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça.

'O Estado indenizou essas vítimas e agora tem o dever de, identificando quem causou esses danos, quem foi o torturador, quem foi que sumiu com a pessoa, promover uma indenização ao Estado', disse o professor de direito constitucional Pedro Serrano, da PUC-SP.

...A viabilidade das ações indenizatórias que esse trabalho poderá provocar vai depender da disposição política do governo de acionar a AGU para iniciar os processos e da maneira como o Judiciário receberá os pedidos".
O repórter -- aquele mesmo que convenceu Cesare Battisti a ir para um botequim e posar com copo na mão, para que depois o jornal da  ditabranda  pudesse usar tal foto contra o escritor -- é ruim também no bê-a-bá do ofício: não apurou que em 2008 foi aberta uma ação nestes termos.

De autoria do Ministério Público Federal em São Paulo e assinada pelos procuradores Eugênia Fávero e Marlon Weichert, a Ação Civil Pública em questão tem como réus a União e os coronéis Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir dos Santos Maciel (que morreu nesse meio tempo), comandantes do DOI-Codi do II Exército entre 1970 e 1976.

Pede que sejam tornadas públicas todas as atividades do órgão, bem como os nomes dos agentes militares e civis que ali serviram e os dos presos políticos; que Ustra e Maciel sejam responsabilizados pelos crimes cometidos no período; que a União seja declarada omissa por não requisitar reembolso pelas indenizações pagas às vítimas; por fim, que ambos os militares sejam condenados a reembolsar esse montante à União.

Há um registro de tentativa da defesa de obter o arquivamento, sendo discutida em 2011! Ou seja, pouco avançou na 1ª instância, em mais de dois anos. Quando enfim vier a sentença, ainda caberá recurso e depois contestação nas outras instâncias.

Então, considero irrepreensível a tese, mas pouco provável que, face à morosidade da nossa Justiça e ao sem-número de manobras protelatórias que faculta a réus com advogados eminentes, qualquer dos carrascos ainda esteja vivo quando uma eventual sentença condenatória chegar à fase de execução.

Quanto à disposição do governo de apresentar a conta para os que causaram os gastos, dificilmente existirá, a julgarmos pelos precedentes.

Então, é quase certo que nada de efetivo vá resultar desta possibilidade hoje (28) levantada. 

Lamentavelmente.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PARA QUE COMISSÃO DA VERDADE, AFINAL?

Aprovada pelo Senado, a instituição da Comissão Nacional da Verdade será agora sancionada pela presidente Dilma Rousseff, que vai definir os sete conselheiros nas próximas semanas.

Quando me voluntariei para integrá-la, agi exatamente como procedo quando órgãos de imprensa violentam as boas práticas jornalísticas e eu reivindico direito de resposta e/ou de apresentar o  outro lado, sabendo de antemão que, apesar de pertinente, o pedido será ignorado: faço o que é certo, independentemente das chances de êxito. Se outros não cumprirem o seu papel, os problemas de consciência serão deles. Nunca me omito.

Então, como desde 2008 vinha reivindicando algo assim, senti-me responsável pelo êxito da iniciativa -- ainda mais quando tantos companheiros levantavam dúvidas sobre a determinação governamental de ir até o fim na apuração e exposição das atrocidades perpetradas pela ditadura militar (que deverá ser o foco real dos trabalhos, pois nada de gravidade remotamente equiparável aconteceu nos demais períodos que, por exigência direitista, serão também -- inutilmente -- abrangidos).

Segundo a Folha de S. Paulo, as cartas já teriam sido embaralhadas de outra forma:
"Em reunião no mês passado, Dilma concordou com os perfis gerais propostos: um religioso, um político conservador, um artista, dois intelectuais (um moderado e outro de esquerda), um defensor histórico dos direitos humanos e um jurista. Não deve haver militares nem notórios perseguidos políticos".
Não me surpreenderei nem vou ficar pessoalmente decepcionado se a informação for correta. Desde o começo falei em anticandidatura. Sabia muito bem que era quase impossível a política oficial reconhecer a credibilidade que adquiri nas redes sociais, na contramão da indústria cultural, que me mantém em suas listas negras tanto como profissional quanto como personagem do noticiário.

E, mesmo dentre os "notórios perseguidos políticos", há companheiros com mais méritos do que eu, como o incansável Ivan Seixas, que tanto fez para que investigações como a das ossadas do cemitério de Perus (SP) resultassem.

Mas, o critério de excluir algozes e vítimas, como se fossem grandezas equivalentes, seria aberrante e inaceitável, constituindo-se no pior de todos os defeitos até agora apontados na Comissão da Verdade.

Trata-se da mesmíssima equiparação de desiguais que a ditadura impôs quando da anistia de 1979. Só que, daquela vez, tivemos de aceitá-la sob chantagem, já que era o preço da liberdade de companheiros e da volta de exilados..

Se for para nos enfiarem goela adentro um sapo desses em pleno Estado de Direito, para que Comissão da Verdade, afinal?

Repito a ressalva: isto pode ser apenas algo  plantado  pela direita midiática na esperança de que se torne realidade.

Pelo sim, pelo não, lembro à presidente Dilma que o  direito à memória e à verdade  está vindo como uma espécie de prêmio de consolação, depois de nos ter sido negado o direito de ver punidos criminosos da pior espécie: torturadores, assassinos, estupradores, ocultadores de cadáveres.

Então -- e aqui acredito falar por todos os veteranos da resistência -- constituiria uma gravíssima ofensa o Governo democrático brasileiro presumir que seríamos tendenciosos como os que têm esqueletos no armário e tudo vêm fazendo desde 1985 para impedir que a verdade seja totalmente conhecida pelos brasileiros.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

1968 É HOJE

Qualquer semelhança...
Tentando "entender os movimentos dos  indignados  americanos e da ocupação de Wall Street", Delfim Netto, no artigo Origem da Crise, alinhou fatos que nos fazem, isto sim, perceber como o capitalismo agoniza (embora não possamos prever quanto tempo durarão seus estertores, nem quais malefícios ainda nos acarretará nesta sua agonia final):
  1. A renda per capita não cresce desde 1996;
  2. A distribuição dessa renda tem piorado há duas décadas;
  3. O nível de desemprego em abril de 2008 era de 4,8% da população economicamente ativa, o que, em parte, compensava aqueles efeitos;
  4. Em janeiro de 2010, o desemprego andava em torno de 10,6% e, desde então, permanece quase igual (9,2%);
  5. O colapso da Bolsa cortou pelo menos 40% da riqueza que os agentes  pensavam  que possuíam;
  6. A combinação da queda da Bolsa com a queda do valor dos imóveis residenciais fez boa parte do patrimônio das famílias evaporar-se;
  7. Ao menos 25% das famílias têm hoje menos da metade que  supunham  ter em 2008.
    ...não é mera coincidência.
    Singelamente, o antigo serviçal de ditadores avalia:
    "O grande problema é que a maioria dos cidadãos não entende como isso pode ter acontecido. Sentem que foram assaltados à luz do dia, sob os olhos complacentes das instituições em que confiavam: o poder Executivo e o Banco Central. Assistem confusos o comportamento do Legislativo".
    Não chega à conclusão óbvia: os cidadãos foram mesmo assaltados à luz do dia, explorados, espoliados,  depenados, saqueados, esbulhados, manipulados, engambelados, logrados, iludidos -- f..., enfim.

    Com sua distorcida visão de mundo, Delfim também passa longe de outra conclusão óbvia: a de que as vítimas do capitalismo estão finalmente começando a despertar de sua letargia, sob os golpes de recessões desnecessárias (sofrendo privações para pagar a conta de situações causadas em grande parte pela ganância desmedida dos bancos, os quais são magnanimamente socorridos pelos governos) e das ameaças que sabem estar sendo incumbadas para a própria sobrevivência de seus filhos e netos.

    Não, segundo Delfim são apenas "pequenos grupos mais exaltados tentam reviver, com passeatas festivas de fim de semana, o espírito  revolucionário  de 1968, que deu no que deu".

    Prefiro me fiar nos pensadores comprometidos com a felicidade do ser humano, como Karl Marx, para quem a nova onda revolucionária começa sempre no ponto mais alto atingido pela anterior.

    É exatamente o que está ocorrendo agora, com grande chance de ser aquela que varrerá o mundo, livrando-nos de uma vez por todas da exploração do homem pelo homem e todas as iniquidades decorrentes.

    AUDIÊNCIA PÚBLICA DEBATE CENSURA À 'FALHA', MAS A 'FOLHA' FOGE DA RAIA

    Será nesta 4ª feira (26), às 14h30, a audiência pública no Congresso Nacional sobre a censura imposta pelo jornal Folha de S. Paulo ao blogue Falha de S. Paulo, em ato de evidente abuso de poder econômico e cerceamento da liberdade de crítica.

    Noutra página virtual, a Desculpe a nossa fAlha, os blogueiros censurados, Lino e Mario Ito Bocchini, assim se manifestaram sobre a desrespeitosa recusa da Folha de comparecer à audiência:
    "Depois de quase 400 dias fugindo do debate que começou por conta de um processo de censura que eles mesmos abriram, a Folha de S. Paulo resolveu ir pra briga. Na carta enviada à Comissão de Legislação Participativa para informar que recusavam o convite para debater no Congresso Nacional a censura que patrocina contra o blog Falha de S. Paulo, a Folha prestou um grande serviço de utilidade pública. Deu um show de prepotência (chegou a chamar o deputado que propõe o ato de desinformado) e má-fé e mostrou táticas toscas de difamação dignas da Veja.
    Concordo em gênero, número e grau. Minha total solidariedade aos irmãos Bocchini, que não lutam por si sós, mas por todos nós, ao tentarem evitar que seja aberto um nefasto precedente de censura na internet.

    terça-feira, 25 de outubro de 2011

    CONFESSO: SOU AGENTE DA U.N.C.L.E.

    Há alguns anos, quando eu era ainda inexperiente na web, um internauta que frequenta grupos de discussão de esquerda aproximou-se de mim oferecendo ajuda. Para não proporcionar-lhe a notoriedade que tanto almeja, vou chamá-lo apenas de  Provocador.

    Como sempre dou um crédito de confiança às pessoas, até que demonstrem não o merecer, aceitei seus préstimos. De concreto, o  Provocador  só apontou algumas tribunas em que eu poderia publicar meus artigos, como o CMI.

    Logo percebi que seu verdadeiro foco era atacar genericamente o Partido dos Trabalhadores e, individualmente, figuras mais importantes do que ele, para pegar uma carona no seu prestígio, como  o antagonista do famoso. Naquele momento, sua  vítima  era o companheiro Laerte Braga.

    Fiquei na minha. Por considerar que o PT agrupava tanto militantes de esquerda quanto cidadãos direitistas, centristas e carreiristas, eu preferia estimular a ala do partido que se mantinha fiel às propostas originais de 1980, combatendo apenas os alinhados com o sistema.

    Isto porque algumas vitórias a ala esquerda do PT ainda obtém, como a decisão do ex-presidente Lula sobre Battisti. E, havendo novos rachas, seus integrantes serão nossos aliados naturais, podendo até militar conosco. Por que empurrá-los para o outro lado e, ainda por cima, fechar portas? Sectarismo é a doença infantil do esquerdismo.

    Também não tinha motivo nenhum para juntar-me ao  Provocador  em sua cruzada contra o companheiro Laerte Braga, com quem até cheguei a travar polêmicas ásperas mas, como eu, defende as posições que considera justas e às vezes se choca com quem sustenta outras posições. Entre um homem de esquerda e um mero exibicionista, jamais optarei pelo segundo.

    Isto azedou minhas relações com o  Provocador. E chegamos à ruptura no curso do Caso Battisti, pois ele insistia em priorizar o desgaste do PT e não a liberdade do companheiro italiano.

    Recusou-se a integrar o Comitê de Solidariedade para não ficar submetido a suas decisões, mas, de fora, multiplicava as tentativas de criar constrangimentos para Lula.

    A gota d'água foi quando o caso estava no Supremo Tribunal Federal e ele tentou lançar campanha para que Lula atropelasse o STF, libertando imediatamente Battisti.

    Saltava aos olhos que Lula não agiria assim. Se o exigíssemos, além de sairmos com as mãos abanando e angariarmos antipatia para nossa causa nos círculos governamentais, ainda daríamos um forte trunfo propagandístico aos inimigos. Poderiam trombetear que temíamos a decisão do Supremo e, antidemocraticamente, estávamos tentando virar a mesa. Resumindo: perda total.

    Fiquei sem outra opção que não a de jogar todo meu peso político contra tal proposta. E isto tornou o Provocador  meu inimigo figadal.

    Desde então, ele fez de mim seu alvo principal. E chegou ao cúmulo de publicar um e-mail que lhe havia escrito em tempos idos, no qual era citado o nome dos companheiros que me procuraram para pedir que denunciasse os sites das  viúvas da ditadura.

    Ou seja, assumi sozinho a denúncia porque, sendo pessoa conhecida, os fascistas virtuais pensariam duas vezes antes de tentarem alguma represália direta. Aí o  Provocador, por mera picuínha, expôs quem estava ao meu lado nessa empreitada.

    Meses e anos se passaram, com o  Provocador  sempre me atacando com um estoque inesgotável de falácias e eu apenas respondendo laconicamente, para ficar registrado que não calo nem consinto, mas evitando dar quilometragem às suas puerilidades.

    Até que, nesta 2ª feira (24/10), ele postou no CMI esta aberração: Será Celso Lungaretti um agente da CIA?

    Embora se trate apenas de uma elocubração não lastreada em fato nenhum e o  Provocador  careça da mais remota credibilidade, um boato desses, à custa da repetição, torna-se potencialmente perigoso. E, claro, é a quintessência da política de esgoto.

    Daí eu ter decidido divulgar amplamente esta última provocação, o que não fiz com nenhuma das anteriores (e foram dezenas!). Pois, nada como a luz para espantar quem se move nas trevas.

    Por último: o  Provocador  está equivocado. Integro, isto sim, os quadros da U.N.C.L.E., tanto que meu verdadeiro nome é Napoleon Solo. E faço dupla com o agente Illya Kuryakin, que finge chamar-se Carlos Lungarzo...

    segunda-feira, 24 de outubro de 2011

    OS BRUTOS TAMBÉM AMAM - 2

    Por pior que seja meu conceito da CartaCapital e do seu arrogante proprietário, foi indesculpável eu não ter notado a excelente matéria-de-capa sobre a bisbilhotice que fardados nostálgicos dos métodos da ditadura militar continuam exercendo em pleno governo democrático e com recursos dos cofres públicos.

    Desculpando-me pelo atraso, recomendo enfaticamente a excelente reportagem Nós, os inimigos, do companheiro Leandro Fortes, cujos principais trechos destaco:
    "Em 24 de abril de 2009, sob as barbas do então presidente Lula e com o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Exército do Brasil produziu um documento impressionante. Classificado internamente como 'reservado' e desconhecido, até agora, de Celso Amorim, que sucedeu a Jobim no ministério, o texto de 162 páginas recebeu o nome Manual de Campanha Contra-Inteligência. Trata-se de um conjunto de normas e orientações técnicas que reúne, em um só universo, todas as paranoias de segurança herdadas da Guerra Fria e mantidas intocadas, décadas depois da queda do Muro de Berlim, do fim da ditadura e nove anos após a chegada do 'temido' PT ao poder.

    Há de tudo e um pouco mais no documento elaborado pelo Estado Maior do Exército. A começar pelo fato de os generais ainda não terem se despido da prática de espionar a vida dos cidadãos comuns. O manual lista como potenciais inimigos (chamados no texto de 'forças/elementos adversos') praticamente toda a população não fardada do País e os estrangeiros.
    Citados de forma genérica estão movimentos sociais, ONGs e os demais órgãos governamentais, de 'cunho ideológico ou não'. Só não explica como um órgão governamental pode estar incluído nesse conceito, embora seja fácil deduzir que a Secretaria de Direitos Humanos, empenhada em investigar os crimes da ditadura, seja um deles.
     ...O documento confirma oficialmente que o Exército desrespeita frontalmente a Constituição Brasileira. Em um trecho registrado como norma de conhecimento, descreve-se a política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, notadamente movimentos sociais e sindicatos. O expediente, usado à farta na ditadura, está vetado a arapongas militares desde a Carta de 1988, embora nunca tenha, como se vê no documento, deixado de ser usado pela caserna.
    Também há referências a controle de meios de comunicação social e técnicas de contrapropaganda, inclusive com orientação para a disseminação de boatos, desqualificação de acusadores e uso de documentos falsos.

    A recomendação explícita de infiltração de agentes de inteligência em movimentos sociais, assim como a mania de bisbilhotar a privacidade de cidadãos comuns, faz do manual uma prova de que, passados 26 anos, a ditadura ainda teima em não sair dos quartéis".

    OS BRUTOS TAMBÉM AMAM - 1

    Embora tenha sido dos mais repulsivos o papel que a CartaCapital desempenhou no Caso Battisti, fazendo lobby descarado pelo linchamento do escritor italiano, eu seria injusto se inculpasse o elenco da revista como um todo.

    A responsabilidade por esse capítulo vergonhoso da imprensa brasileira cabe unicamente a Mino Carta, fanático defensor do Partido Comunista Italiano, a ponto de querer que fosse atirado numa masmorra quem era testemunha articulada e eloquente da suprema traição do PCI aos ideais revolucionários na fase do  compromisso histórico, quando acumpliciou-se com a reacionária, mafiosa e corrupta Democracia Cristã; e a Walter Maierovitch, juiz aposentado que, sabe-se lá por quê, nessa perseguição se comportou como legítimo herdeiro de Torquemada.

    Nada do que tais cidadãos escrevam ou declarem, até o fim dos dias deles ou dos meus, será aqui destacado, salvo no sentido negativo.

    É o que posso fazer. O saudoso Henfil decerto os despacharia para o  cemitério dos mortos-vivos do cabôco mamadô...

    Mas, nem só de caçadores de bruxas vive a CartaCapital. Há também reportagens e artigos de grande peso, além da inestimável coluna do dr. Sócrates.

    P. ex., a visão equilibrada que o advogado e professor de Direito Constitucional da PUC-SP, Pedro Estevam Serrano, deu das circunstâncias da morte de Muammar Gaddafi, batendo numa tecla em que sempre bati: tirando o povo líbio, todos os personagens deste drama eram vis e indefensáveis. 

    Algo com que nossa esquerda maniqueísta não soube lidar, ao  absolver  um déspota execrável para melhor condenar a Otan. Só faltou sugerir sua canonização...

    Concordo em gênero, número e grau com o artigo Morte foi queima de arquivo, do qual reproduzo os trechos principais:
    "Kaddafi é um líder que não deixa saudades. Um terrorista de Estado, exemplo fácil de ser lembrado em sala de aula para ilustrar as formas de se usar o poder para cometer crimes lesa-humanidade.

    Entretanto, o grau de civilização de um sociedade é medido pela forma como trata seus culpados. E, convenhamos, a morte de Kaddafi, na forma como ocorreu, em meio a um tratamento indigno, degradante e cruel com o prisioneiro (como registraram as imagens divulgadas) foi o retrato de uma governabilidade global que cada vez mais se aproxima em métodos do mais rasteiro banditismo.
    Se as forças internacionais, agindo como força policial e não como Forças Armadas, optaram, corretamente ou não, ao arrepio da soberania do povo líbio, por intervir militarmente no conflito civil daquele país, por evidente haveriam de se responsabilizar pelo tratamento jurídica e humanamente adequado dos prisioneiros que de alguma forma contribuíram para com seu aprisionamento.
    ...Da mesma forma que ocorreu na morte do terrorista Bin Laden, não apenas direitos humanos fundamentais do prisioneiro foram desconsiderados, mas suprimiu-se algo que seria de todo interesse público: o legítimo processo junto ao Tribunal Penal Internacional

    No caso de Kaddafi a situação é mais instigante. Kaddafi foi chefe de Estado por décadas. Durante este período contou com o apoio, suporte ou tolerância de Estados ocidentais às atrocidades que praticou.

    Seria de toda importância para a opinião publica global ouvir seus depoimentos na Corte Penal Internacional. As culpas de Kaddafi são conhecidas e evidentes, mas não as de seus parceiros em diferentes momentos históricos. Certamente lideres de países ocidentais de diferentes matizes ideológicas ao menos teriam suas biografias maculadas

    Por conta deste evidente e relevante interesse político em eliminar Kaddafi é que a utilização da expressão 'queima de arquivo', jargão usado para designar o homicídio de testemunha ou comparsa para evitar seu depoimento, me parece adequada ao menos como suspeita a ser verificada com relação à morte do prisioneiro".

    domingo, 23 de outubro de 2011

    AÇOUGUEIRO DE DAMASCO ORDENA NOVO MASSACRE; A VELHA ORDEM BALANÇA

    O regime do açougueiro de Damasco continua assentado apenas nas baionetas -- que, Napoleão Bonaparte já dizia, são incômodas para alguém sentar-se nelas.

    A resposta de Bashar al-Assad ao novo ânimo que a morte de Muammar Gaddafi trouxe aos revoltosos foi a de sempre, repressão e mortes.

    E seu isolamento aumenta, com o Irã também passando a condenar as carnificinas.

    Vai cair de podre, como os anteriores.

    A primavera árabe está reconfigurando a região. Os movimentos contra a ganância vão reconfiguar o mundo. A velha ordem balança.

    Eis os trechos principais do despacho da agência noticiosa France Presse:
    "Doze civis foram mortos neste sábado pelas Forças Armadas na Síria e dezenas de outros foram presos, enquanto a imprensa oficial evitou comentar a morte do líder líbio Muamar Kadhafi.
    Os militantes pró-democracia comemoraram o destino do ditador deposto capturado e morto na quinta-feira depois de oito meses de insurreição na Líbia. Eles pediram novas manifestações neste domingo em todo o país com o lema 'Chegou a sua vez', em referência ao presidente sírio Bashar al-Assad.
    Paralelamente, o Irã aumentou o tom em relação ao seu aliado sírio, 'condenando' pela primeira vez 'as mortes e os massacres' causados pela repressão na Síria, que deixaram, segundo a ONU, mais de 3.000 mortos desde o início do movimento de contestação, em março.
     'Condenamos as mortes e os massacres na Síria, sejam vítimas pertencentes às forças de segurança, à oposição ou à população. Ninguém tem direito de matar os outros, nem o governo nem os opositores', declarou o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad à rede americana CNN.
    Essas declarações foram feitas no momento em que a Turquia, outro antigo aliado de Bashar al-Assad, faz duras críticas às autoridades sírias e insiste para que Teerã retire o seu apoio ao regime de Damasco.

    No país, a violência continua. Nove civis morreram em Homs, 160 km ao norte de Damasco, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede no Reino Unido".

    sábado, 22 de outubro de 2011

    A BOLA DA VEZ É O AÇOUGUEIRO DE DAMASCO

    "Oi! Zum, zum, zum,
    zum, zum, zum!
    Está faltando um!

    Bateu asas, foi embora,
    não apareceu.
    Nós vamos sair sem ele,
    foi a ordem que ele deu.

    Oi! Zum, zum, zum,
    zum, zum, zum!
    Está faltando um!

    Ele que era o porta-estandarte
    e que fazia alaúza e zum-zum.
    Hoje o bloco sai mais triste sem ele,
    está faltando um!"
    (Fernando Lobo/Paulo Soledade)


    A primavera árabe vai alcançando tiranos cada vez piores e mais indefensáveis. O  açougueiro de Damasco  está se mantendo no poder à custa dos milhares de assassinatos cometidos nos últimos meses, para intimidar manifestantes. Vai acabar escorraçado também, claro!

    Espera-se que, antes disto, o Brasil desça do muro e passe a apoiar as resoluções da ONU contra as carnificinas de Bashar al-Assad, ao invés de recriminar as matanças mas deixar tudo como está para ver como é que fica...

    Eis os principais trechos:
    "Forças de segurança sírias mataram nesta sexta-feira ao menos 13 pessoas durante protestos contra o ditador Bashar Assad, afirmaram grupos ativistas e moradores. A maioria das mortes ocorreram na cidade de Homs, no centro do país, e em Hama, no norte.

    A morte do ex-ditador líbio, Muammar Gaddafi, estimulou protestos em várias partes da Síria pedindo a queda de Assad...
    ...mais de metade das mortes foram em Homs, mas também houve registros de fatalidades em Hama e Deraa.

    O movimento de oposição na Síria convocou a manifestação por meio de sua página no Facebook contra o regime do ditador e para homenagear a luta do povo líbio, no dia seguinte à morte de Gaddafi. 'Chegou a sua vez Doutor', escreveram alguns opositores no Facebook em referência a Assad.

    Relatos iniciais de ativistas apontaram que pelo menos dois manifestantes foram mortos por tiros disparados por forças de segurança que tentavam dispersar as manifestações em Homs.

    'Gaddafi está acabado. É a sua vez agora, Bashar!', gritavam manifestantes na cidade de Maaret Numaan, na província de Idlib, de acordo com uma testemunha. Gritos de 'prepare-se, Assad!' podiam ser ouvidos em Tayyana, na província tribal de Deir al Zor, fronteira com a região muçulmana sunita do Iraque".

    PARA FUNDADORA DO THÉÂTRE DU SOLEIL, A ESPERANÇA DE 1968 REVIVE

    Paulo Francis escreveu que artistas podem ser fulgurantes atuando e irrelevantes opinando.

    Geralmente, as frases bombásticas não abarcam todo o universo a que aludem. Trabalhando como crítico de cinema e de música, além de ter amigos na área teatral, conheci artistas dos dois tipos, os consequentes e os tolos pomposos.

    Neste sábado (22), a Folha de S. Paulo publica algumas frases da sabatina a que submeteu Riane Mnochkine, fundadora do Théâtre du Soleil, cuja lucidez é admirável.

    Sobre a execução de Muammar Gaddafi, p. ex., disse tudo que havia para ser dito --ou seja, que ele não fez jus à compaixão das pessoas de bem, mas jamais deveria ter sido abatido como um cão, destino que nenhum ser humano do planeta merece:
    "Não me importo com a morte de Muammar Gaddafi, se ele foi esquartejado ou não. Mas acho que é um mau começo para a democracia líbia que ele não tenha sido julgado e preso. O que gostaria é que ocorresse um julgamento diante das pessoas que ele maltratou durante mais de 40 anos --até para aterrorizar outros tiranos".
    E o ponto alto foi esta afirmação que fez, sobre os movimentos contra a ganância que pipocam no mundo inteiro:
    "Se não acham que a esperança de maio de 68 se reconfigura nisso, envergonhem-se!".
    Bravíssimo!!!

    sexta-feira, 21 de outubro de 2011

    O FIM DE GADDAFI, CONTRADIÇÕES E MANIQUEÍSMOS

    Parte da esquerda via Muammar Gaddafi como uma pedra no sapato do imperialismo (embora, passada sua fase carbonária, já tivesse se acertado com as grandes nações e corporações capitalistas) e como o responsável por algumas melhoras nas condições de vida do povo líbio.

    Outra, como pouco mais do que um tirano megalomaníaco e sanguinário.

    Esta última, na qual me incluo, tem sensibilidade mais aguçada em relação a tudo que se pareça com as ditaduras que enfrentamos por aqui.

    Além de não esquecer as lições do pesadelo stalinista: o dano imenso à causa revolucionária produzido por regimes ditos de esquerda que, em nome de Marx, arquivaram a promessa marxista de instauração do "reino da liberdade, para além da necessidade", acreditando que bastasse impor a justiça social a ferro e fogo, de cima para baixo e sobre montanhas de cadáveres.

    Marx incumbiu os revolucionários de criarem condições para que o proletariado assumisse seu papel de  sujeito da História.

    Era-lhe estranha, para não dizer inaceitável, a noção de que chegassem ao poder de qualquer jeito (inclusive as quarteladas de militares nacionalistas) e então, segurando firmemente suas rédeas, oferecessem alguns benefícios ao povo, reduzido à condição de objeto da História.

    Se não são os explorados que conquistam o poder, também não vão ser eles que o acabarão exercendo. E despotismos, mesmo que inicialmente pareçam ser benígnos, acabam degenerando em intimidações bestiais e privilégios grupais ou familiares.

    É exatamente o quadro que Hélio Schwartsman nos apresenta em sua inspirada coluna desta 6ª feira, Combinação mortal:
    "...Não há dúvida de que Gaddafi foi um tirano particularmente selvagem. A lista de malfeitos inclui assassinato, estupro, terrorismo e roubo.

    Estima-se que ele e sua família tenham pilhado bilhões.

    Irascível, eliminava opositores até por críticas leves ao regime. Conta-se que, numa ocasião, deixou os corpos de adversários que enforcara apodrecendo na praça central de Trípoli. Para garantir que todos captassem a mensagem, desviou o trânsito, forçando motoristas a passar pelo local.

    O mundo, porém, não é um lugar tão simples como gostaríamos. O ditador também exibe algumas realizações civilizatórias. Respaldado pelo petróleo, investiu em saúde e educação e até distribuiu alguma renda. A expectativa de vida saltou de 51 anos em 1969 para mais de 74. A Líbia tem os melhores índices de educação da África. O ditador também fez avançar os direitos das mulheres. O maniqueísmo funciona melhor em nossas mentes que na realidade..."

    ...para que o 'guia da revolução' se tornasse o assassino em massa que virou, foi preciso acrescentar o idealismo, isto é, a convicção de servir a um Deus e a uma ideologia infalíveis. Foi uma combinação mortal".
    Como vimos do nosso lado do mundo, ditaduras, mesmo quando tenham avanços econômicos para exibir, acabam saturando. Ninguém aguenta viver indefinidamente debaixo das botas.

    E é bom que tal aconteça, aliás. Ai de nós se os seres humanos se conformassem com a vida de gado em fazenda-modelo ("povo marcado, povo feliz", no dizer do Zé Ramalho)! Nesta eventualidade, bastaria os donos do mundo serem um pouquinho menos gananciosos, aumentando a quota de migalhas do banquete distribuídas ao povão, que sua dominação seria eterna.

    Então, Gaddafi caiu porque a maioria do povo líbio ou estava contra ele, ou indiferente à sua sina. O engajamento das nações ocidentais ao lado dos rebeldes não foi o fiel da balança, pois o apoio das massas reequilibraria as forças, se Gaddafi o tivesse.

    Inimigo pior, bem pior, o glorioso povo espanhol encarou em 1936, detendo a marcha triunfal dos generais fascistas para o poder e obrigando-os a travarem uma terrível guerra civil.

    Já a ditadura líbia caiu de podre, em curto espaço de tempo e sem nada que caracterizasse uma legítima resistência popular ao avanço dos revoltosos.

    Fica para a esquerda a lição de que precisa voltar a levar em conta as contradições, como marxistas devem fazer, deixando de lado o maniqueísmo simplista de não enxergar defeitos em quem tem algumas virtudes que lhe agradam.

    Militares nacionalistas, contrários ao colonialismo e ao imperialismo, não equivalem a revolucionários. Ditaduras que ofereçam alguns benefícios ao povo não equivalem ao mundo novo pelo qual socialistas e anarquistas lutamos.

    Portanto, não nos cabe, jamais, os apoiarmos incondicionalmente, nem nos identificarmos com eles sem ressalvas.

    Caso contrário, o homem comum deduzirá que nosso objetivo final é a implantação de regimes sanguinolentos como o de Gaddafi -- o que, aliás, a propaganda da direita não cansa de trombetear.

    quinta-feira, 20 de outubro de 2011

    PESOS E MEDIDAS

    A Anistia Internacional exige investigação independente das circunstâncias da morte de Muammar Gaddafi.

    Tudo indica que ele recebeu o disparo fatal depois de ser capturado com vida, igualzinho ao Osama Bin Laden.

    Sou totalmente favorável a que os carrascos sejam punidos com o máximo rigor, NOS DOIS CASOS.

    Agora, se a AI é impotente para fazer com que os matadores estadunidenses sejam responsabilizados, melhor deixar os da Líbia em paz.

    Assim como, enquanto não conseguir que Israel seja exemplarmente punido, nada tem a cobrar de nenhum outro estado transgressor das leis internacionais. Ou massacres e pirataria são crimes para todos, ou não são para ninguém.

    Bater em bêbados é mais fácil do que encarar ferrabrases.

    GADDAFI: ATÉ O MAIS AMARGO FIM

    Anuncia-se que o deposto ditador líbio Muammar Gaddafi terá sido capturado ou morto pelas forças do novo governo.

    Como Adolf Hitler, ele atraiu a desgraça para sua gente, ao teimar em resistir quando já não havia a mais remota possibilidade de evitar a derrocada.

    Desde a queda de Trípoli, quantas vidas se perderam, quantos seres humanos ficaram estropiados por nada, absolutamente por nada?!

    O nefando führer teve, pelo menos, a dignidade de selar ele próprio seu destino e o de seus restos mortais, negando aos inimigos um troféu para exibirem.

    Gaddafi, se a notícia for confirmada, nem isto.

    quarta-feira, 19 de outubro de 2011

    SAMBA DO CIVITA DOIDO?

    O combativo Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, publica uma história impossível de se comprovar, pois lhe foi contada pelo ator José de Abreu, o qual a teria ouvido de um "petista graduado".

    Tal personagem, entrando em contato com a direção da Veja logo depois da inqualificável matéria de capa com o Zé Dirceu, haveria recebido a resposta de que, por determinação do Roberto Civita (foto ao lado), a revista vai intensificar sua escalada de descalabros jornalísticos até a derrubada de Dilma Rousseff.

    É possível que tenha ocorrido a sondagem e Civita haja mandado tal recado? É.

    Mas, sem o dito figurão do PT sair do armário e relatar o episódio de viva voz, o que existe é apenas um boato.

    Os psiquiatras, contudo, têm a obrigação de ficarem atentos.

    Caso se confirme que é este mesmo o desvario do   poderoso chefinho  da Abril, poderá ser necessária internação.

    Se nem a extradição do Cesare Battisti ele conseguiu, apesar de jogar pesado e sujo como nunca, de onde teria tirado a idéia de possuir poder de fogo para depor uma presidente?!

    Há uma hipótese mais benigna: seria apenas lobby do Civita para assumir os papéis de Peter Sellers numa eventual refilmagem de O rato que ruge...

    GRÉCIA EM TRANSE

    Despacho da agência noticiosa espanhola Efe revela que a paciência do povo grego com a desumanidade capitalista está chegando ao fim.

    A conta do desequilíbrio estrutural do sistema vai sendo enfiada goela adentro dos cidadãos de cada nação, sem que jamais se chegue à solução definitiva, pois ela transcende o capitalismo: o mundo só se verá livre da alternância perversa de euforias econômicas e terríveis recessões quando o reparte das riquezas produzidas for regido pelo bem comum e pelo atendimento das necessidades humanas, não pelo lucro.

    Do berço da democracia vem o grito de  basta!:
    "A Grécia vive nesta 4ª feira o primeiro dos dois dias consecutivos de greve geral, o que deve paralisar a atividade econômica do país, incluído o fechamento do espaço aéreo.

    Os controladores aéreos anunciaram na  3ª feira à noite adesão ao protesto por 12 horas, gerando 300 cancelamentos no país.

    Durante as primeiras 4h desta 4ª feira, o transporte público na capital ficou paralisado.

    A indústria, o ensino, sítios arqueológicos e museus, bancos, ministérios, tribunais e serviços públicos estão praticamente paralisados pela falta de trabalhadores.

    Profissionais como advogados, funcionários da Fazenda e de Alfândegas continuarão com as greves até 6ª feira e os taxistas se somaram à greve de 48 horas.
     Nesta 4ª feira também permanecerão fechados os postos de gasolina, padarias, farmácias e comércios.
    Dezenas de toneladas de lixo permanecem nas ruas do país inteiro apesar do decreto de mobilização civil da véspera do Governo para que se faça o recolhimento".
    Por enquanto, a união popular se dá em torno da rejeição de mais um pacote recessivo.

    Dia virá em que os verdadeiros democratas, em todos os países, dirão  basta!  ao capitalismo em si -- até porque ele esvaziou a própria noção de democracia, ao tornar o poder econômico tão poderoso que subjuga e sateliza o poder político, esvaziando a representação popular.

    Os movimentos anticapitalistas que estamos vendo pipocar mundialmente na atual década constituem apenas acumulação de forças para o confronto decisivo -- no qual se jogarão as esperanças de sobrevivência da espécie humana, seriamente ameaçada de ser arrastada à extinção pelo capitalismo agonizante.
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