sábado, 27 de fevereiro de 2010

DISSECANDO A PROPAGANDA ENGANOSA DOS SITES FASCISTAS


Há vários anos o Ternuma e demais sites fascistas mantém no ar um artigo propagandístico e falacioso intitulado O Fracassado Sequestro do Cônsul dos EUA, transcrição provavelmente literal de um daqueles famigerados Inquéritos Policiais Militares da ditadura de 1964/85, que hoje são considerados mero entulho autoritário: por estarem contaminados pela prática generalizada da tortura, não têm valor nem em termos legais, nem como documentação histórica.

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Ministério Público Federal têm sido extremamente omissos ao não tomarem providências para evitar que a memória dos resistentes mortos e a dignidade dos vivos continuem sendo atingidas pelas calúnias, injúrias e difamações assacadas pelas viúvas da ditadura.

A internet tem esse poder de concretizar o sonho de Goebbels: martelar tanto uma mentira que ela acaba passando por verdade.

Assim, p. ex., um dos ícones da extrema-direita, Olavo de Carvalho, atacou-me em 2007 com uma catalinária ridícula, não só na argumentação, como na informação.

Incompetente até para colher dados nas buscas virtuais, ele supôs que eu fosse ex-prefeito de Jacupiranga (!) e proprietário da Geração Editorial (!!). Veiculou amplamente seu samba do olavo doido, que pipocou em toda a mídia fascista.

Minha réplica foi tão contundente que ele, assustado, deu continuidade à polêmica unicamente no Diário do Comércio (SP). Nem no seu próprio site postou mais.

Resultado: houve três artigos de cada lado e, como eu resumi no título do texto final, o OC entrou como leão e saiu como cão, inapelavelmente derrotado. Se alguém duvidar, pode ler todas as peças aqui.

Pois bem, até hoje os fascistinhas aprendizes escrevem que o OC detonou o ex-prefeito de Jacupiranga, ignorando totalmente a existência dos cinco outros artigos desse debate.

Noutro arremedo de ataque, um milico de pijamas me qualificou de "capanga do Lamarca". Quem conhece os fatos da minha militância sabe que nada estaria mais distante da realidade, mas o rótulo continua sendo utilizado pela maioria dos direitistas que tentam depreciar meu trabalho. E por aí vai.

A VERSÃO E O FATO

Voltando ao panfleto sobre o sequestro fracassado, um desses fascistinhas virtuais o colou há duas semanas, na íntegra, numa comunidade de esquerda do Orkut, a Ditadura Militar. Acabei participando da discussão, até para deixar registrada a enorme diferença que há entre o fato e a versão.

Eis a versão:
"Confiantes no sucesso do seqüestro, a UC solicitou ao CN que elaborasse, antecipadamente, um comunicado que seria entregue às autoridades logo após a ação. Juarez Guimarães de Brito (...) incumbiu o responsável pelo Setor de Inteligência, Celso Lungaretti (...), de redigir o 'Comunicado Número Um', documento que veio a se tornar um libelo irretorquível contra as sandices comunistas:

"'O Cônsul norte-americano em Porto Alegre (Curtis Cutter) foi seqüestrado às ... horas do dia ... de Março pelo Comando 'Carlos Marighella' da Vanguarda Popular Revolucionária. Esse indivíduo, ao ser interrogado, confessou suas ligações com a CIA, Agência Central de Inteligência, órgão de espionagem internacional dos Estados Unidos e revelou vários dados sobre a atuação da CIA no território nacional e sobre as relações dessa agência com os órgãos de repressão da ditadura militar. Ficamos sabendo, entre outras coisas, que a CIA trabalha em estreita ligação com o CENIMAR, fornecendo inclusive orientação a esse último órgão, sobre os métodos de tortura mais eficazes a serem aplicados nos prisioneiros. A CIA e o CENIMAR sofrem a concorrência do SNI, sendo que essa rivalidade é tão acentuada que em certa data um agente da CIA foi assassinado na Guanabara por elementos do SNI. Esse informe foi cuidadosamente abafado pela ditadura, mas o depoimento do Agente Cutter, nosso atual prisioneiro, permitiu que o trouxéssemos a público'."
Eis o fato, conforme o relatei no Orkut:
"Minha única participação nesse caso foi ter escrito, a pedido do Juarez Guimarães de Brito, o texto de um comunicado que a VPR deixaria no local do sequestro, explicando que precisava recorrer a esse expediente para libertar militantes que estavam sendo barbaramente torturados e corriam sério risco de ser assassinados nos cárceres da ditadura.

"Nunca soube quem era o alvo, nem o estado em que se daria a ação. Apenas me informaram que abortou, porque um dos comandantes operacionais não conseguira organizar corretamente a apropriação de um veículo que seria necessário.

"O Ladislau Dowbor e a Maria do Carmo Brito se queixaram de que mais valia ter comprado o veículo e realizado a ação..."
FOLHETINS MALUCOS

E completei:
"Este é um dos muitos casos em que os inquéritos militares distorceram totalmente a verdade. Quem é torturado tende a falar aquilo que os torturadores mostram estar querendo ouvir. Então, os IPMs da ditadura parecem ficção barata. Em ações realizadas por cinco companheiros, eles inculpam dez, e assim por diante.

"Outra falácia a meu respeito é que eu teria sido jurado de um tribunal revolucionário. Nunca participei de nenhum, nem soube que a VPR houvesse realizado algum durante meu tempo efetivo de militância (de abril/1969 a abril/1970, quando fui preso).

"Ou seja, em cima desses IPMs fantasiosos, os sites fascistas produzem verdadeiros folhetins malucos.

"Fica claro, ainda, que eles estão de posse de muitos arquivos da repressão que deveriam ter sido entregues ao Estado brasileiro."
Companheiros da comunidade Ditadura Militar chegaram a colocar em dúvida a própria existência do plano de sequestro, por só terem ouvido falar nele a partir de relatos do inimigo.

Discordei, mesmo porque não considero o plano, em si, algo de que devamos nos envergonhar, muito pelo contrário, nas circunstâncias de um regime de exceção como o que havia no Brasil em 1970:
"Tínhamos companheiros para libertar e eu jamais deixarei de defender que, para salvar a vida e preservar a integridade física de revolucionários, era/é aceitável sequestrarem-se diplomatas.

"Mas, o problema são as informações inconfiáveis dos inquéritos militares, (...) que serviam como instrumento de guerra psicológica para o regime.

"Caso do tal comunicado sobre o interrogatório do cônsul. Afirmo enfaticamente que, não só não foi redigido por mim, como tenho a absoluta certeza de que não foi redigido por companheiro nenhum.

"A VPR jamais emitia comunicados falseando a realidade. Não fazia parte da nossa cultura e de nossos valores. Acreditávamos em conquistar o respeito das massas exatamente falando a verdade, enquanto os inimigos mentiam."
E não seria mais simples negar a existência de factóides como esse, já que não passou de um sequestro-que-não-houve, igual ao do Delfim Netto pela VAR-Palmares?
"...a minha posição é de que a verdade, ainda mais depois de tanto tempo (quatro décadas!), deva ser inteiramente revelada. Sou a favor da absoluta transparência. Revolucionário não esconde o que faz, nem faz o que depois não pode assumir.

"Se o que fizemos era justificável (como neste caso), devemos assumir e justificar.

"Se erramos, devemos fazer autocrítica, ainda que tardia.

"Mas não ocultarmos episódios debaixo do tapete. Quem procede assim é a direita. Nós temos obrigação de sermos mais honestos e dignos do que eles".

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

PAULO SÉRGIO PINHEIRO E A RAIVA DE CALIBÃ

Aos 12 anos, na 2ª série ginasial, eu tinha tanta facilidade em solucionar questões matemáticas quanto dificuldade em lidar com a estranha lógica da química e da música.

Então, como uma alfinetada à professora de Canto, copiei certa vez na contracapa do caderno de música o prefácio de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde - cujo significado, aliás, eu estava longe de entender.

Queria apenas que ela lesse a última frase, "toda arte é completamente inútil", pois eu considerava suas aulas uma completa inutilidade.

Quanto ao livro em si, o que me fascinava mesmo era o tema do pacto com o demônio. Eu tinha fascínio pelo fantástico e o sobrenatural. Nem remotamente imaginava a que Wilde estava querendo aludir com aquela história bizarra.

E, na minha ignorância juvenil, escapava-me também o significado de dois versos que, entretanto, me chamaram a atenção:
"A aversão do século XIX pelo realismo é a raiva de Calibã ao ver seu rosto no espelho."

"A aversão do século XIX ao romantismo é a raiva de Calibã por não ver seu rosto no espelho."
Pouco me interessara por Shakespeare e nada sabia de sua Tempestade, na qual aparece o personagem do monstro disforme, filho da bruxa Sicora, que se horroriza ao ver a própria face no espelho.

De certa forma, eu mesmo agia como Calibã, ao considerar inútil o aprendizado musical apenas porque não conseguia diferenciar um dó de um fá. Quebrava o espelho como reação às minhas limitações.

Foi o que me veio à mente, ao ler que o presidente venezuelano Hugo Chávez considerou "lixo puro" o relatório divulgado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, cujo relator foi Paulo Sérgio Pinheiro.

Por que? Porque nele se constata que não existe equilíbrio de poderes na Venezuela, mas sim a ascendência do Executivo sobre o Legislativo e o Judiciário; e que veículos da imprensa sofrem perseguições.

Ora, isto é tão óbvio quanto a feiúra de Calibã. Quebrar espelhos só coloca em maior evidência esses fatos.

E o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, recentemente eleito pela Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça como representante da sociedade civil no grupo de trabalho encarregado de preparar o anteprojeto de lei da Comissão Nacional da Verdade, é um exemplo inatacável de dignidade e idealismo, sempre colocando seu brilho intelectual a serviço das causas justas. Uma unanimidade.

Então, não posso calar quando Chávez trata de maneira tão insultuosa seu relatório e qualifica de "máfia" a Comissão à qual pertence.

Paulo Sérgio Pinheiro fez por merecer o respeito dos melhores brasileiros e deve ser por eles desagravado neste episódio, independentemente de quaisquer outras considerações.

Não vivemos mais nos sinistros tempos da guerra fria, quando tantos calavam a voz de suas consciências por temerem ajudar indiretamente o inimigo.

Rosa Luxemburgo é quem estava certa: "a verdade é revolucionária". Sempre.

Por último: deixo igualmente registrado meu inconformismo com o tratamento desumano que os presos políticos recebem em Cuba, causa última da morte de Orlando Zapata, e com a frase extremamente infeliz de Marco Aurélio Garcia, ao relativizar o ocorrido alegando que "há problemas de direitos humanos no mundo inteiro".

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

NÃO AGUENTO MAIS

Uma velha máxima do jornalismo diz que notícia não é quando um cachorro morde um homem, mas se um homem morder o cachorro.

Foi o que aconteceu num hospital público de Ivinhema, no Mato Grosso do Sul.

Nunca ouvi falar nesse município. Abrigará o Rancho Fundo, bem pra lá do fim do mundo?

O certo é que uma mulher de 32 anos estava para dar à luz, os pré-natais não indicavam problemas e ela entrou saudável na sala cirúrgica.

O médico que fizera todo o acompanhamento prévio já havia aplicado o medicamento para induzir contrações e dilatação, pois o parto seria normal.

Chegou o plantonista e reivindicou a primazia. Disse que cabia a ele conduzir os procedimentos.

O outro médico não se conformou e os dois saíram na porrada, chegando a rolar no chão.

A parturiente ficou histérica, além de exposta, nua, aos olhares da turma do deixa disso.

Depois do bafafá, um terceiro médico fez cesárea, mas o bebê nasceu morto.

Médicos existem para salvar nenês, mas causaram a morte deste. O homem mordeu o cachorro.

Correndo o risco de ser tido pelos leitores como um velho saudosista, vou confessar que sonho com um mundo bem diferente, solidário e justo, mas não deixo de sentir uma ponta de nostalgia dos meus tempos de criança, quando os médicos eram fiéis ao juramento de Hipócrates.

Quando os professores sentiam-se responsáveis não só pela instrução de seus alunos, mas por prepará-los para serem bons cidadãos.

Quando os juízes não se deixavam subornar pelos poderosos e eram respeitados pela comunidade.

Quando o vendeiro era amigo da clientela e não a induzia a más compras.

Quando os farmacêuticos indicavam o remédio correto para quem não podia pagar ou não tinha tempo para ir ao médico.

Quando os policiais eram bem educados e cumpriam civilizadamente a lei...

Aí veio o capitalismo pleno e a afabilidade foi detonada pela ganância, os brasileiros cordiais substituídos pelos brasileiros canibais.

Não aguento mais percorrer lojas enormes sem nenhum vendedor para assessorar a compra, tendo de caçar funcionário que dê informações (e quase sempre ele chama outro, que nada sabe também, aí se descobre que o item em questão não está mesmo nas prateleiras, mas pode ser que exista no depósito, etc., de forma que a compra leva uma eternidade porque os estabelecimentos hoje operam com um terço do pessoal que seria necessário para atender dignamente os clientes...).

Não aguento mais ver policiais militares revistando jovens malvestidos aos berros e pescoções, apenas por suspeitarem deles. Fico me lembrando da distinta e respeitável Guarda Civil dos anos 50, que tratava a todos como cidadãos e não como inimigos. Aí militarizaram o policiamento urbano e a truculência virou norma.

Não aguento mais percorrer os bairros pobres e constatar que, na principal cidade brasileira, continuam existindo córregos a céu aberto que passam no meio da rua, onde as crianças caem para ser contaminadas pelo esgoto; onde os coitadezas vão acrescentando um novo andar a seus casebres cada vez que a família aumenta, até que aquela construção irregular e insensata desaba como pedras de dominó.

Não aguento mais ver os veículos de comunicação, com os repulsivos BBB's, emburrecendo suas vítimas a um ponto que nem mesmo Sérgio Porto acreditaria ser possível, quando apelidou a TV de "máquina de fazer doido".

Não aguento mais viver no inferno pamonha do capitalismo agonizante, que esgotou o que tinha de positivo para oferecer e agora sobrevive parasitariamente, destruindo tudo que há de saudável, nobre e belo na existência humana.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

À COMPANHEIRA VANDA, RESPEITOSAMENTE

Farsa jornalística que tentou associar a imagem de Dilma a um sequestro inexistente

Glauber Rocha colocou na boca de um personagem de Terra em Transe a alusão à "baixa linguagem dos interesses políticos".

Jean-Paul Sartre cunhou a frase célebre de que fazer política é "enfiar as mãos no sangue e na merda".

Uma poesia de Bertold Brecht diz que, para transformar o mundo, precisamos chafurdar na sujeira e abraçar o cariniceiro.

Então, companheira Vanda, eu compreendo muito bem os seus motivos, ao protestar inocência face às calúnias imundas que os direitistas lhe lançam.

Várias vezes já tentaram, até forjando uma falsa ficha policial, atribuir-lhe participação pessoal nas ações armadas contra a ditadura militar. Utilizando técnicas propagandisticas goebbelianas, querem fazer crer que você apertava gatilhos e acendia pavios, pois estes clichês impactam mais nos brasileiros que ignoram os horrores da Era Médici [Aliás, fui o primeiro a denunciar tal farsa, lembra?]

Mas, nem mesmo quatro décadas depois e sob o rolo compressor da propaganda enganosa dos fascistas, devemos deixar de proclamar que, ao pegarmos em armas contra o arbítrio, nada mais fizemos do que exercer nosso direito de resistir à tirania.

Você e eu sabemos muito bem que, a partir da assinatura do Ato Institucional nº 5, só havia esse caminho para quem tomasse a digna decisão de continuar na luta contra o despotismo, apesar dos riscos pessoais terem se tornado imensos da noite para o dia.

Não foi outro o motivo de apenas uns poucos milhares terem levado às últimas consequências suas convicções, enquanto, meses antes, uma única passeata era capaz de reunir 100 mil manifestantes. Só os imprescindíveis travam lutas suicidas, quando é a isto que a dignidade obriga.

Os que ainda tentavam atuar de peito aberto junto às massas, eram sequestrados (nenhuma captura daquele tempo respeitava as normas do Direito...) em questão de semanas, levados aos porões, barbarizados, assassinados.

Optando pela clandestinidade; mudando a aparência e montando fachadas com identidades falsas; expropriando bancos para nos mantermos (já que não havia mais como arrancarmos o sustento no mercado de trabalho) e manter nossa luta; sequestrando diplomatas para trocá-los pelos companheiros presos, salvando-os de terríveis torturas e das execuções sumárias; realizando ações de propaganda armada já que eram a única forma de levarmos nossas mensagens ao povo brasileiro; dessa forma conseguíamos permanecer atuantes... durante meses. Míseros meses!

Lembro-me de que, em 1970, prestes a completar um ano nessa luta desigual, já era considerado um veterano. Poucos dos ingressados depois do AI-5 atingiam tal marca. E, mal a completei, fui sequestrado pelo DOI-Codi, iniciando minha temporada no inferno.

Enfim, companheira Vanda, você e eu sabemos muito bem que tinhamos pleno direito de resistir pelas armas aos que haviam conspirado durante anos para usurpar o poder, fracassando numa tentativa golpista em 1961 e obtendo êxito na de 1964, para em seguida imporem o terrorismo de estado, generalizando as torturas, as arbitrariedades e as atrocidades.

Então, por mero acaso, você e eu deixamos de ser designados para para a ação direta, permanecendo como organizadores. Mas, isto só pesou mesmo nas condenações menores que recebemos, pelos critérios da ditadura.

Pelos nossos próprios critérios, que eram e são os que importam para nós, em nada nos diferenciávamos dos gloriosos companheiros incumbidos dessas missões. Mesmo porque jamais teríamos recusado a mesma incumbência, se para tanto fôssemos escolhidos.

Lembrei-lhe tudo isso porque, inadvertidamente, você foi um tanto inábil com as palavras, ao apontar a falácia cometida pelos que a acusam de ações armadas que não praticou.

Ao dizer que nunca foi "julgada ou condenada por nenhuma ação armada", tendo recebido uma pena de dois anos apenas por sua militância, parece colocar-se num plano diferenciado dos seus companheiros do Colina e da VAR-Palmares que cumpriam tais tarefas. É como alguns poderão interpretar uma frase como esta:
"Não tenho conhecimento de nenhuma pessoa que praticou ação armada e que tenha sido condenada a dois anos".
Eu prefiro acreditar que suas verdadeiras convicções estejam expressas noutro trecho da entrevista que você concedeu em Cuiabá, aquele no qual declarou ter orgulho de sua história na resistência.

Pois, embora só a tenha conhecido fugazmente no Congresso de Teresópolis da VAR-Palmares, à distância acompanhei sua trajetória e sei que você sempre honrou seu passado e sua luta.

Então, entenda esta mensagem apenas como um toque de quem, depois daquele passado comum, passou o resto da vida atuando na área de comunicação: há muitos Gasparis por aí tentando criar um fosso entre os militantes que apenas sofreram nas mãos dos algozes e aqueles que ousaram responder ao fogo inimigo. Uns seriam mártires como Vladimir Herzog e Rubens Paiva, outros meros terroristas.

Tome cuidado para, na sua justificada rejeição de acusações falaciosas, não ser confundida com os que, em última análise, repudiam a opção que você e eu fizemos.

Pois não é por termos deixado de expropriar bancos ou sequestrar diplomatas que nunca fomos terroristas. Mas porque, no curso de uma luta contra o despotismo, ações desse tipo não têm caracterização criminal, e sim política. São e sempre foram atos de resistência à tirania.

Terroristas eram os outros, os que se ocultavam sob o capuz do Estado: aqueles que intimidavam, censuravam, perseguiam, sequestravam, torturavam, maltratavam crianças, estupravam, matavam e ocultavam cadáveres, como agentes de um poder ilegítimo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

IRÃ É A BOLA DA VEZ

O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, passará de hoje (23) até domingo (28) nos EUA, acertando os últimos detalhes para uma operação contra o Irã.

Os poderosos do mundo já sinalizaram que, se e quando o programa nuclear iraniano atingir determinado estágio, haverá uma intervenção militar para afastar a real ou suposta ameaça a Israel, apoiada por alguns deles, enquanto outros (inclusive o Brasil) ficarão em cima do muro.

O que assistimos agora é só a sintonia fina, os derradeiros preparativos.

Em vias de conquistar a prenda almejada neste instante, Israel provavelmente fará alguma concessão quanto à péssima repercussão de seus genocídios de dez/2008 e jan/2009 na faixa de Gaza.

A condenação veemente da opinião pública mundial e da Organização das Nações Unidas não foi aplacada pelo anúncio de meras punições disciplinares que teriam sido aplicadas a dois comandantes militares por terem despejado fósforo branco na agência de refugiados da ONU em Gaza, deixando vários civis feridos e incendiando essa instalação humanitária.

Então, no seu encontro com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, presume-se que Barak vá oferecer algo de menos risível, para, pelo menos, salvar as aparências.

Depois que o Relatório Goldstone informou a todo o mundo civilizado, de forma irrefutável, que Israel é culpado de crimes de guerra contra os palestinos e, provavelmente, de crimes contra a humanidade, o estado judeu se vê obrigado a dar alguma resposta a esse clamor por justiça.

Ainda mais quando está prestes a ser desencadeada outra operação militar polêmica, com as outras nações ou fazendo o serviço sujo para Israel, ou cruzando os braços enquanto o estado judeu resolve ele próprio seu problema (não dá para sabermos exatamente que linha de ação será adotada desta vez).

Quanto ao governo de Mahmoud Ahmadinejad, está ficando cada vez mais sem opções: ou recua ou terá o mesmo destino do de Saddam Hussein.

Seu péssimo currículo em direitos humanos, executando opositores sem justificativas que pessoas civilizadas pudessem aceitar e mantendo a ferro e fogo os valores medievais, facilitaram em muito o serviço para os inimigos. Do que mais precisaria a indústria cultural?

Idem a insistência em confrontar as grandes nações num terreno tão sensível quanto o da energia nuclear.

Só desinformados e insensatos não temem uma volta aos piores momentos da guerra fria, quando grassava a paranóia do day after.

Na crise dos mísseis cubanos, a aniquilação da espécie humana esteve por um fio.

Quem viveu aquele momento, não quer passar por ele novamente. E quem não viveu, mas tem as informações corretas sobre o ocorrido, sabe que é o último dos filmes a merecer reprise.

Então, pelo sim, pelo não, mesmo aqueles que não simpatizam com Israel dificilmente lamentarão a erradicação da ameaça.

Este é o mundo real -- bem previsível para quem sabe ler nas entrelinhas.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

"FOLHA". NÃO DÁ PRA NÃO VOMITAR

Assim um jornal do Grupo Folha coonestou a farsa com que a repressão encobriu a execução do Bacuri, após terrível calvário.

Durante as trevas ditatoriais no Brasil, um oficial de alto escalão certa vez se queixou de que um jornal carioca estaria movendo guerra psicológica adversa contra o regime.

Motivo? É que o matutino montara uma página só com tragédias e catástrofes ocorridas no mundo inteiro, tendo no centro a notícia e foto de uma entrega de espadins aos calouros de uma academia militar.

O gorila avaliou que a imagem de fardados sorridentes, cercada de sofrimento por todos os lados, seria uma maneira subliminar de colocar os leitores contra os milicos, burlando a censura.

Nas minhas (posteriores) décadas de atuação jornalística, perceberia que, si non è vero, è bene trovato: o mero maquiavelismo é muito mais frequente na imprensa do que a mera coincidência.

Um exemplo conspícuo é a capa da Folha de S. Paulo deste domingo (21), tendo como manchete "Dilma faz defesa do estado forte e prega estabilidade" e destacando, na chamada de uma retranca secundária, que "Ministra diz ter feito no exterior treinos militares".

Gato escaldado, o jornal evita sugerir outra vez que um eventual governo de Dilma Rousseff criaria uma infinidade de novas estatais. Sua credibilidade cairá ainda mais se continuar recebendo cala-bocas irrefutáveis.

Mas, não desistiu de insinuar que Dilma é uma estatizante compulsiva, ao colocar em primeiríssimo lugar um tema que, na própria notícia a que a manchete remete, só aparece na metade final:
"Dilma, porém, reafirmou a proposta de fortalecimento do Estado, citada por Lula em sua fala, quando disse à ministra: 'Isso é bom Dilma, não é ruim', ao lembrar que a oposição a acusa de ser estatizante. 'Continuaremos a valorizar o servidor e o serviço público, reconstituindo o Estado, recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país', afirmou ela.

"Ao defender o Estado, Dilma disse que o desastre da crise econômica mundial não foi maior no Brasil porque os 'brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de Furnas', momento em que foi aplaudida".
Percebe-se, claro, que Dilma escolhe cuidadosamente as palavras, para não indispor-se nem com os estatizantes encontrados em suas fileiras, nem com os devotos do deus-mercado existentes fora delas. Políticos são assim mesmo, navegam nas águas da ambiguidade.

Mas, a insistência da Folha em afixar-lhe tal etiqueta já beira o ridículo. Onde cabem pelo menos duas interpretações, trombeteia sempre aquela que maior prejuízo causará à campanha presidencial de Dilma.

Idem, a obsessão em apresentá-la como uma sanguinária ex-guerrilheira, o que verdadeiramente não foi.

Militou na resistência à ditadura de 1964/85, mas como organizadora e dirigente, não como integrante das unidades de ação armada. Por mais que tente, a direita ainda não conseguiu prova nenhuma de que Dilma haja participado pessoalmente de sequestros, expropriações, etc.

Ademais, em nações submetidas a governos despóticos, todo cidadão tem o direito de resistir à tirania, pelos meios possíveis. A partir do AI-5, o único meio possível no Brasil ficou sendo a luta armada.

Assim como nos países europeus submetidos ao jugo nazista. O que poderia fazer a Resistência Francesa, além do que fez? Entregar flores aos carrascos de Hitler?

Canso de afirmar que a ninguém ocorre, na França, apresentar os heróis e mártires da Resistência como autores de crimes comuns, embora suas ações tenham sido indiscutivelmente mais violentas do que as praticadas pelo Colina, VPR e VAR-Palmares (as organizações nas quais Dilma militou).

O jornal, entretanto, faz questão de sintonizar-se com a pregação totalitária das viúvas da ditadura.

Como se fosse um Ternuma qualquer, falseia a História para, panfletariamente, associar a Dilma uma imagem de violência. Chegou ao cúmulo de tentar envolvê-la, forçando a barra ao extremo, com um plano de sequestro que nunca saiu do papel nem era atribuição dela.

E, da mesma forma que os sites fascistas, a Folha apresenta esses episódios sem contextualização. P. ex., para quem conhece o festival de horrores desencadeado pela assinatura do AI-5, que deu sinal verde para a repressão política barbarizar e assassinar à vontade, não causa surpresa nenhuma que os movimentos de resistência pretendessem sequestrar o ministro Delfim Netto.

Como signatário do nefando ato, Delfim escolheu ser alvo das ações dos resistentes. Que, no caso, estavam longe de ser drásticas. Pretendia-se apenas trocá-lo por presos políticos que sofriam torturas terríveis nos porões da ditadura, podendo ser executados a qualquer momento.

Dilma, dignamente, jamais negou sua responsabilidade política pelo que fizeram ou planejaram as organizações em que militava.

Mas, isto é pouco para a propaganda enganosa da extrema-direita. Esta quer porque quer plantar a imagem de que Dilma apertava gatilhos e acendia pavios. Daí inundar a internet com fichas policiais falsas, como a que a Folha entusiasticamente reproduziu, num dos maiores vexames jornalísticos de seus 89 anos de história.

Agora, do enorme perfil que o jornal apresenta de Dilma, repleto de trechos mais interessantes, o que destaca na primeira página é o fato de ela ter feito um treinamento militar básico no Uruguai.

Novamente, cabe a pergunta: o que deveríamos fazer, nós que enfrentávamos os efetivos altamente treinados da repressão política e seu poder de fogo infinitamente superior? Nem aprendermos a nos defender com um mínimo de competência nós podíamos? É como sacos de pancada que o Grupo Folha nos queria?

Na verdade, sim. Tanto que, no momento dos acontecimentos, disponibilizava veículos para o DOI-Codi, enquanto lhe dava sustentação política em seus jornais.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CASO BATTISTI: IMPRENSA BRASILEIRA CONTINUA COMENDO NA MÃO DA ITALIANA

O lobby de Alberto Torregiani contra o escritor e perseguido político Cesare Battisti prosseguiu nesta 6ª feira (19), com mais uma irrelevância distribuída pela agência noticiosa italiana Ansa a seus assinantes.

Os colonizados jornais on-line brasileiros aproveitaram-na literalmente, como sempre o fazem, sem nenhuma checagem ou aprofundamento.

Não dá para sabermos se compactuam com a desinformação por preguiça ou por opção ideológica.
Afora a encheção de linguiça [quero dizer, a contextualização...], o despacho da Ansa só traz duas novidades.

Uma não passa de bravata pueril do Torregiani:
"Vamos ver se Battisti tem coragem de vir diante de mim e dizer: 'eu sou inocente'".
A outra é seu mero palpite de que Battisti não teria certeza de uma decisão favorável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Se Battisti está tão tranquilo [de] que o presidente Lula concederá a ele a imunidade, não entendo por que continua a falar. Isto demonstra que não tem esta grande segurança e que continua a fazer grandes pressões", disse Alberto.
"E daí? - perguntarão os leitores. Ninguém que fique prisioneiro por tanto tempo deixa de sentir nervosismo às vésperas de sua libertação. Mesmo tendo 99,9% de certeza de que tudo correrá bem, o 0,1% o inquieta. Ainda mais sendo um homem sensível e tendente à depressão, como Battisti.

Então é normal e humanamente compreensível que fale demais, para espantar seus fantasmas. [E também porque não se é italiano impunemente...]

O texto esclarece que Alberto é "filho de uma das vítimas de crimes atribuídos a Cesare Battisti", o que dará aos incautos a impressão de tratamento respeitoso e civilizado.

Nada disto. Na verdade, a Ansa é obrigada a ser reticente porque esclareceu, em matéria anterior, que Battisti não estava presente no atentado em que o joalheiro Pierluigi Torregiani foi morto e seu filho se tornou hemiplégico:
"...Battisti sempre afirmou sua inocência e sustenta que o disparo que deixou Torregiani numa cadeira de rodas partiu da arma de seu próprio pai.

"'E o que isso tem a ver?', replica Torregiani. 'Battisti não fazia parte do comando [grifo meu], mas é uma questão de responsabilidade. Ele foi condenado por ter participado da tomada de decisão, por ter sido o mandante do crime, e o que importa são as intenções'".
Falastrão como ele diz ser Battisti, viu-se Alberto obrigado a tentar justificar à Ansa suas afirmações um tanto contraditórias [fica difícil entender-se o motivo de tão extremada sanha vingativa contra quem, afinal, nem matou seu pai nem lhe causou a hemiplegia...]. E o fez de forma canhestra:
"Torregiani revelou que Battisti não participou da ação que culminou no assassinato de seu pai porque havia ido à localidade de Mestre, onde teria matado o açougueiro Lino Sabbadin. 'Está tudo nos autos do processo', explicou".
[A notícia distribuída no Brasil em 30/01/2009 pela Ansa já foi retirada do ar, mas a original italiana, mais resumida, ainda pode ser acessada.]

MEMÓRIA SELETIVA

Houve duas omissões significativas. Torregiani esqueceu de dizer que:
  • segundo "os autos do processo", os dois assassinatos foram planejados na casa do dirigente máximo do grupo Proletários Armados para o Comunismo, Pietro Mutti, em reunião na qual é atribuída a Battisti (que, na verdade, não estava presente) apenas a omissão, ou seja, não teria objetado; e
  • muitos anos depois e já como delator premiado, Mutti imputou mentirosamente a Battisti a autoria direta dos dois assassinatos, tendo a acusação engolido suas lorotas interesseiras como se fossem a tábua dos 10 mandamentos.
Aí a defesa levantou um pequeno e singelo detalhe: a distância entre as duas localidades (500 quilômetros) não podia ser transposta no intervalo de tempo transcorrido entre as ações (duas horas).

A derrubada de uma das mentiras de Mutti foi um embaraço? Longe disso. Os procuradores apenas remendaram a peça acusatória, colocando Battisti como assassino de Lino Sabbadin e autor intelectual da morte do joalheiro Pierluigi Torregiani...

Quanto a Mutti, a própria Corte de Milão assim se pronunciaria sobre sua teia de falsidades, em 31/03/1993:
"Este arrependido é afeito a jogos de prestidigitação entre os seus diferentes cúmplices, como quando implica Battisti no assalto de Viale Fulvio Testi para salvar Falcone, ou Battisti e Sebastiano Masala em lugar de Bitti e Marco Masala no assalto à loja de armas 'Tuttosport', ou ainda Lavazza ou Bergamin em lugar de Marco Masala em dois assaltos em Verona".
VÍTIMA PROFISSIONAL

Finalmente, cabe acrescentar revelação interessante que surgiu em notícia de O Estado de S. Paulo:
"Autor do livro Já Estava na Guerra, Mas Não Sabia, em que contou sua experiência, Torregiani entrou há pouco tempo na política. É responsável pelo Departamento de Justiça do Movimento pela Itália, liderado por Daniela Santanchè...".
Para quem não sabe, trata-se de um agrupamento reacionário cuja líder é coproprietária de um night-club para ricaços da Sardenha, uma senhora assumidamente neofascista e que rompeu com Berlusconi por considerá-lo demasiado tímido na defesa dos ideais direitistas...

Então, a verdadeira motivação de Alberto Torregiani se evidencia até na cadeira de rodas que ocupa espaço tão destacado na capa do seu livro: é uma vítima profissional querendo aparecer o máximo possível no noticiário, já que engata uma carreira política e literária nas fileiras da extrema-direita italiana.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"FOLHA". NÃO DÁ PRA NÃO DESCONFIAR

O jornal já publicou até ficha policial falsa de Dilma Rousseff

Em plena 3ª feira de carnaval, a manchete da Folha de S. Paulo foi "Para Dilma, Estado deve ser também 'empresário'", com direito ao subtítulo "Pré-candidata quer que União não só induza, mas toque obras" e a quatro parágrafos introduzindo o assunto.

Depois, no caderno Brasil, vem o restante, tendo como título "Dilma faz defesa de Estado presente e tocador de obras".

O texto da repórter Marta Salomon, da sucursal de Brasília, desde o início causa estranheza. Primeiramente, porque não se refere a uma entrevista concedida por Dilma Rousseff ao jornal, mas sim de uma que foi editada em livro, para lançamento durante o congresso do PT.

Depois, porque confunde grotescamente o Estado empresário, que faz brotarem empresas estatais como cogumelos, com o Estado que cumpre sua missão de disponibilizar serviços essenciais à população. Se não, vejamos:
"...a pré-candidata ao Planalto Dilma Rousseff defendeu a presença mais forte do Estado na economia, não só para induzir investimentos mas também para tocar obras. 'O Estado terá, inexoravelmente, de reforçar seu segmento executor', disse a ministra ao apresentar proposta que chamou de 'bem-estar social à moda brasileira'.

"A presença mais forte do Estado na economia será necessária, defende Dilma, para universalizar serviços de saneamento, melhorar a segurança pública, ampliar o número de unidades de atendimento na saúde e a oferta de habitação a partir de 2011. Mais de quarta parte da população (26,6%) ainda não dispõe de serviços de esgoto, de acordo com os dados oficiais mais recentes."
Nesta 6ª feira (19), a Folha de S. Paulo dá a mão à palmatória, admitindo implicitamente que sua principal matéria de três dias atrás estava bem no espírito do Carnaval: era um samba do crioulo doido, só que carente do talento e espirituosidade do imortal Sérgio Porto.

O jornal publica no Painel do Leitor a refutação de Oswaldo Buarim Jr., assessor especial da Casa Civil, sem nada contestar. Isto, em jornalismo, significa que a réplica é inquestionável e não deixou espaço para tréplica. A Folha de S. Paulo não encontrou uma única palavra para dizer, que pudesse justificar a leviandade informativa por ela cometida.

Eis, portanto, o que evidenciou-se como a verdade cabal neste episódio:
"Na entrevista (...) não há uma só linha que ampare a manchete da Folha de 16/2... O título distorce o enunciado da reportagem interna, que, por sua vez, é uma distorção da entrevista.

"Para correta informação dos leitores, reproduzimos a declaração da ministra com seu sentido completo: 'O Estado terá, inexoravelmente, que reforçar seu segmento executor, para universalizar o saneamento. Melhorar a segurança pública, a habitação, as condições de vida da população etc. Teremos que adotar novos e modernos mecanismos de gestão interna, que instituam o monitoramento, a verificação, relatórios e mecanismos adequados de controle'.

"Nada a ver com 'presença mais forte do Estado na economia', como diz a reportagem. Tudo a ver com capacitação do Estado para atender as necessidades da população de maneira eficaz.

"Também foi distorcido o sentido de outra afirmação da ministra: 'Muitos diziam que só havia um jeito de as pessoas melhorarem sua situação: através do mercado. E que, se acreditássemos nisso, no final todos seríamos salvos'. Nesse ponto da entrevista, ela se refere a programas como o Minha Casa Minha Vida, conforme está claro na continuação do raciocínio, sonegada aos leitores do jornal: 'Era simplesmente impossível fazer política de habitação, porque não se podia subsidiar. Como construir casas para a população com renda de até três salários mínimos se o custo da casa não é compatível com a renda? A equação simplesmente não fecha. O mercado jamais resolveria esse problema'.

"Nada a ver com 'presença mais forte do Estado na economia'. Tudo a ver com política de subsídios para habitação popular."
O pior é que não se trata de um erro aleatório e inofensivo, mas sim de um que sugere ao leitor a criação de empresas que possam ser instrumentalizadas politicamente de diversas maneiras, inclusive como cabides de empregos.

Era a conclusão óbvia a que os perspicazes chegariam. E foi o que um leitor mineiro da Folha deduziu, em mensagem que o jornal alegremente publicou no dia seguinte:
"Se me faltassem motivos para não votar na candidata Dilma Rousseff, a manchete de ontem já teria sido suficiente: 'Para Dilma, Estado deve ser também "empresário'.

"Não consigo deixar de imaginar a fila de petistas e peemedebistas, de inquestionável integridade, em busca de vagas na diretoria das novas estatais, com o firme propósito de promover 'bem-estar social à moda brasileira'.

"O altruísmo desse pessoal eu conheço de outros carnavais."
Cabe à sucursal de Brasília informar os leitores da Folha sobre os acontecimentos políticos, não ela própria fazer política, fornecendo armas propagandísticas para os opositores de qualquer candidatura presidencial.

O jornal está devendo um pedido de desculpas a Dilma, sua vítima habitual, de quem publica até ficha policial falsa; e a seu público, por mais esta manipulação explícita e desmascarada.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A ROTA EM DISCUSSÃO

Meu recente artigo José Serra: nada mais nos UNE suscitou um debate que considerei muito rico, nos comentários do meu outro blogue.

De um lado o bom Ismar C. de Souza, que foi quem me alertou para o fato de que a página virtual da Rota mantinha (e ainda mantém...) a retórica do tempo da ditadura militar. Isto o afeta em dois sentidos, como defensor dos direitos humanos e como militante do movimento negro.

De outro o sargento Lago, que é da Rota, faz carreira musical e chegou a cantar a "Caminhando" numa casa noturna de São Paulo, em apresentação prestigiada pelo próprio Vandré.

Ele cultiva a memória do tenente Alberto Mendes Jr., mas teve a digna postura de buscar conhecer os valores e versões do outro lado, marcando entrevistas comigo e com o Darcy Rodrigues, também veterano da VPR.

E, em terceiro lugar, evidentemente, eu mesmo: ex-guerrilheiro envolvido em episódios polêmicos do passado e hoje um defensor da memória da luta armada e dos companheiros que dela participaram.

Neste sentido, tão logo recebi a denúncia do Ismar, escrevi uma Carta Aberta ao Governador José Serra (out/2008), voltando depois ao assunto nos artigos Não desviarei da Rota (dez/2008), Rota Renega Loas à Ditadura (jan/2009, quando acreditei numa promessa que acabaria não sendo cumprida) e Rota Continua Exaltando a Ditadura Militar (jul/2009), além do de anteontem.

Leiam e tirem suas conclusões.

LAGO: "ESTIVE LÁ E SEI QUAL É A REALIDADE"

Lungaretti,

Acredito que as informações no site da ROTA ainda não foram tiradas por "questão de prioridade", contudo é certo que os que se vangloriam da atuação da PM no período da ditadura é equivalente as pessoas da sociedade que sentem saudades daquele período. Ou seja, sempre haverá quem é simpatizante ou não.

Não concordo com você sobre a extinção da ROTA nem tampouco com todas "verdades" contidas no livro do Caco Barcelos. Estive lá e sei qual é a realidade.

Muitos daqueles mortos, sem passagem pela polícia, eram infinitamente mais nocivos a sociedade que muitos presidiários e morreram no confronto com a polícia.

Nos casos de execução policial a justiça tratou de punir os milicianos.

Quando a postura de alguns políticos, é lamentavel ver as incoerências. (16/2/10 4:42 PM)

LUNGARETTI: "EQUÍVOCO NA ESCOLHA DA PRIORIDADE"

Lago,

você tem meu respeito, como o homem civilizado que demonstrou ser.

Mas, é simplesmente inadmissível que uma unidade policial se vanglorie de haver contribuído com um golpe de estado e ainda tente justificá-lo, alegando que estaria apoiando "as Forças Armadas e a sociedade".

O pior é que foi assumido com o "Brasil de Fato" um compromisso de expurgar-se a retórica dos anos de chumbo. Há exatos 13 meses.

Não só nada foi retirado, como acrescentou-se um trecho para validar o golpe. Então, parece-me que a questão não foi de prioridade, mas sim de equívoco na escolha da prioridade.

A extinção da Rota foi pedida num editorial da grande imprensa, que eu citei na carta aberta ao Serra.

Considero que teria sido uma medida profilática no instante da redemocratização, 1985, para sinalizar à sociedade que certas práticas não seriam mais admitidas.

Não sou ingênuo e sei que passou o momento para tanto. Citei-a na carta aberta apenas para colocar diante do Serra a imensidão do abismo existente entre os ideais de outrora e o pragmatismo amoral de hoje.

Mas, da exigência de que a Rota adote uma retórica democrática na sua página virtual, em substituição à totalitária que lá está, eu não abro mão.

A Rota não pode continuar se vangloriando de haver contribuído para a derrubada de Goulart.

Nem enaltecer o próprio papel na repressão aos resistentes, omitindo que o Brasil estava sob uma ditadura que impunha o terrorismo de estado e generalizara a prática de atrocidades.

Se a Rota não tem grandeza para fazer uma autocrítica do seu papel histórico, que, pelo menos, apague as referências a episódios polêmicos. Eu me contentaria com isso.

Mas, como está, é inaceitável.

Um forte abraço! (17/2/10 10:14 AM)

ISMAR: "AUTORITARISMO E RACISMO POLICIAL"

Prezado Sargento Lago,

Concordo com o Lungaretti, você demonstra ser um homem civilizado e democrático (coisa raríssima no meio policial brasileiro). Será que na ROTA existem outros homems educados e civilizados como você?

Vamos lá.

A Rota nunca conseguio rebater cientificamente os números apresentados pelo Cacos Barcelos.

Alguns assassinatos denunciados no livro Rota 66 foram cometidos quando os presos já estavam dominados e deveriam ser apresentados à justiça. Como ficou provado isso? Os atestados de óbito dos mortos estão guardados e ainda podem ser consultados. Os representantes da ROTA podem ir lá verificar e constatar que estes desmentem muitos dos casos de "mortos em confrontos com a polícia".

No Brasil não existe pena de morte, logo, policial que executa um prisioneito, é também um criminoso, concorda?

A Pesquisa do Cacos foi bem fundamentada. As investigações jornalísticas foram feitas nos IML´s (Institutos Médicos Legais aí de SP), logo, a autoridade dos Legistas é a palavra final na averiguação da causa mortis de uma pessoa. Não é um policial que tem que dizser qual foi a causa da morte de uma pessia.

Muitos dos mortos investigados receberam tiros na nuca, quando os relatórios policiais relatavam mortes por atropelamento.

Para finalizar, este tema é muito caro para mim, pois demonstra o que todo mundo sabe no Brasil: as instituições policiais brasileiras ainda praticaram e ainda praticam um racismo velado na hora de efetuar as prisões injustas e assassinatos extrajudiciais.

A ROTA, foi e continua sendo o maior exemplo de autoritarismo e racismo policial aqui no Brasil.

Quanto aos textos que continuam em sua página (da ROTA) na internet louvando o golpe de 1964, é uma verdadeira vergonha, uma prova de que a ROTA não se respeita e não respeita a democracia.

A ROTA é uma instituição mantida com dinheiro do contribuinte Paulista, potanto, deve se manter dentro da Lei e do respetio às instituições democráticas. No momento a forma de governo aqui no Brasil é a democracia representativa, com eleições em todos os níveis. A DITADURA MILITAR JÁ ACABOU! ACORDA ROTA! (18/2/10 10:24 AM)

LAGO: "CALAR É IGUAL A CONCORDAR"

Lungaretti,

Não fui claro. Quando digo "prioridade", nas entrelinhas digo "falta de foco".

Sou defensor apaixonado da nossa corporação, porém não fecho os olhos para os absurdos por ela cometidos. Justamente por eles serem menores do que dizem.

Você já leu no meu blog o que penso sobre a repressão militar e acho um contra-senso cultuar essa história.

Ter Alberto Mendes Junior como herói não significa que temos que aceitar e justificar as torturas e arbitrariedades cometidas.

Veja bem, tanto estamos vivendo em outra época que - como policial militar que sou - posso externar abertamente a minha posição.

Mas, não se engane, ainda nos dias atuais isso nã fica impune. A diferença é que não existe a tortura física e a punição não é institucionalizada. Vem de forma velada e aleatória.

Fiz uma música e gravei no CD Profissão Coragem, chama-se "Revolução" (pode ser ouvida lá no meu blog), que diz: CALAR É IGUAL A CONCORDAR.

Então, falemos.

Grande abraço. (18/2/10 11:18 AM)

LUNGARETTI: "EM NOME DA PACIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS"

O papo foi muito esclarecedor, Lago.

Você deve ter percebido que a minha postura é a mais flexível que posso adotar, nas circunstâncias.

Não deixo de expressar meus sentimentos a respeito desses episódios passados, pois seria trair a mim mesmo e aos companheiros que sofreram/morreram.

Mas, em termos práticos, minha única exigência é de que a Rota adote uma postura mais equidistante na sua página virtual, superando a retórica dos anos de chumbo.

Numa democracia, é inadmissível que alguém se ufane de haver outrora colaborado para o êxito de um golpe de estado.

E quem resistiu a uma tirania não deve ser apresentado como criminoso comum, enquanto se omitem os crimes praticados pelos tiranos e seus esbirros, incomensuravelmente mais graves (pois estes últimos agiam em nome do Estado brasileiro).

Quanto à escolha do tenente Mendes Jr. como herói-símbolo, evidentemente não me agrada, mas eu a respeito, se reflete os sentimentos da corporação.

Democracia é isto. Todos temos de engolir um ou outro sapo, em nome da pacificação dos espíritos.

Uma boa copidescada em apenas duas retrancas da página da Rota seria suficiente para eliminar aquilo que, para quem lutou contra a ditadura, impacta como uma provocação.

Um forte abraço! (18/2/10 12:53 PM)

LAGO: "DISSOCIAR A IMAGEM DA CORPORAÇÃO DO REGIME MILITAR"

Prezado Ismar,

Se a Polícia Militar for rebater tudo que dizem dela não haverá tempo disponível para exercer a sua atividade fim.

Quanto as mortes da ROTA, se não for dentro da lei, compete a nossa justiça a providência.

O que devemos deixar claro é que a ROTA presta excelente serviço a população paulista. Querer extingui-la tão simplesmente porque é um órgão repressor é fortalecer nossos adversários.

Acho positivo o debate para termos uma polícia legalista, mas não podemos - por traumas do passado - generalizar a situação.

Não compreendo a sua afirmação sobre racismo na ROTA. Ele está para o Batalhão Tobias de Aguiar como está para o Brasil.

Não vou enxugar gelo. Quando procuro defender a instituição não o faço por acreditar que as denúncias sejam improcedentes, mas por ter certeza que não tem a dimensão que dão.

Agora, quanto aos textos que Lungaretti reclama (com razão), acho que esse é um ótimo momento para ser tirado, já que estão querendo mudar o nome da PM para Força Pública e dissociar a imagem da corporação do regime militar. (18/2/10 3:46 PM)

O CRÍTICO ACIDENTAL

Durante uns cinco anos, entre 1979 e 1984, atuei como crítico de cinema e de música em veículos de pouca expressão.

Mesmo ganhando pouco, é a fase da minha carreira profissional que me deixou as melhores recordações. Até como compensação, tinha liberdade para escrever o que queria, do jeito que queria. Repetindo o Jim Capaldi, "oh, how we danced!"...

Espelhava-me em pesos-pesados como Paulo Francis, Luiz Carlos Maciel e Rubem Biáfora, com quem aprendera a apreciar a arte com olhar independente, em vez de ser mais um a fazer oba-oba para os artistas e obras de que todo mundo gostava.

Isto me colocava na contramão de uma crítica que começava a funcionar apenas como fornecedora de subsídios para o consumo, oferecendo aos leitores uma bula para eles decidirem se valia a pena ver determinado filme, comprar certo disco. Cheguei a escrever que se tratava, isto sim, de uma burla que se cometia com a arte.

A ficha me começou a cair quando assisti numa cabine a Alien, o Oitavo Passageiro, de Riddley Scott, ao lado dos maiores nomes da critica cinematográfica de São Paulo.

À saída, os medalhões travaram verdadeira competição para ver quem se lembrava de mais filmes antigos dos quais Scott chupara trechos. Demonstraram claramente ter considerado Alien uma colcha-de-retalhos e um lixo.

Qual não foi minha surpresa ao constatar, dias depois, que todos eles haviam feito média com o filme, permanecendo confortavelmente em cima do muro, nem sim, nem não, muito pelo contrário.

Perdi o pouco de respeito que ainda me inspiravam.

O "PROMÍSCUO" ZEFIRELLI - Outro episódio na mesma linha foi o ocorrido quando da coletiva que o diretor italiano Franco Zefirelli concedeu, ao lançar em São Paulo O Campeão. Antipatizei com o filme por ser um reforço dos valores familiares, uma guinada na direção do conservadorismo, depois de toda a efervescência da geração das flores.

Além disto, Zefirelli acabava de ser contratado a peso de ouro para montar uma ópera no Rio de Janeiro, embora, garantissem os expertos, houvesse muitos brasileiros que poderiam desempenhar melhor a função, recebendo bem menos.

Então, combinei com o colega do Diário Popular que, durante a entrevistas, jogaríamos o máximo de cascas de banana no caminho de Zefirelli.

Dito e feito. O italiano escorregou feio, chegando até a admitir que, ao contrário do moralismo piegas do seu filme, ele próprio era "promíscuo". E foi além no ridículo involuntário: "Mas, se todos fossem como eu, não existiria civilização".

Em nossas matérias, não perdemos a oportunidade de espinafrar o conspícuo herdeiro de Sodoma e Gomorra -- que, ademais, reconhecera não conceber os filmes seguindo suas convicções, mas sim com o calculismo de um homem de marketing.

Ou seja, ele procurava antecipar-se aos sentimentos e modismos que estariam em voga quando a película fosse lançada. É o que se depreende desta afirmação: "Não fiz Irmão Sol, Irmã Lua por ser franciscano, mas sim por ter percebido que a juventude estava entrando nessa onda e, logo, muita gente a seguiria..."

Mas, só nós dois registramos os maus momentos de Zefirelli. Os críticos realmente influentes omitiram suas bobagens e trataram de apenas levantar-lhe a bola, mantendo-se nas boas graças do sistema.

Eu, pelo contrário, nunca conciliei. Não hesitei em qualificar de irrelevante o Superman de 1978, com Marlon Brando. Aí, um diretor do poderoso Circuito Serrador fez questão de me entregar pessoalmente a permanente para ter livre acesso aos cinemas da empresa... com direito a um sermão sobre haver afastado os espectadores do seu grande lançamento daquele ano. Não dei a mínima.

Já as farpas contra o O Franco-Atirador, de Michael Cimino, serviram para azedar também meu relacionamento com os mandachuvas do principal veículo em que escrevia, o semanário Fim-de-Semana.

Eles eram todos altos funcionários do jornal O Estado de S. Paulo (dizia-se até que não passava de um veículo criado para descarregar impostos da empresa, apresentando perdas extremamente superfaturadas...) e, como tais, reacionários até a medula.

Ora, O Franco-Atirador, agraciado com vários Oscar, apresentava o conflito vietnamita na ótica calhorda de lamentar os traumas sofridos pelos soldados estadunidenses em contato com a barbárie dos asiáticos.

Ou seja, além de despejarem toneladas de napalm nos coitados, os norte-americanos ainda os satanizavam. Parecia a velha piada do brutamontes se queixando ao fracote de que havia machucado a mão ao esmurrar a cara dele.

Perdi aquela tribuna e não lamentei. "Canto eu vendo, não vendo é opinião", dizia uma velha música da era dos festivais.

INTIMIDAÇÃO DE CRÍTICOS - Não pude, entretanto, deixar de lamentar o fato de haver indiretamente causado a demissão do crítico e cineasta Jairo Ferreira da Folha de S. Paulo, em outro episódio.

Naquele tempo, a nata dos cineastas engajados estava na órbita da estatal Embrafilme, cuja assessoria de imprensa passou a fazer uma espécie de lobby para intimidar críticos: cada vez que um deles lançava seu novo filme, todos os outros escreviam elogios extremados e desancavam de forma igualmente extremada quem ousasse discordar da excelência da película lançada.

Isto tudo vinha em luxuosos press-kits, cuidadosamente produzidos para embasbacar, amedrontar e, finalmente, cooptar os críticos.

Observei o fenômeno uma, duas vezes. Na terceira, fiz uma veemente denúncia. Contei como funcionava o esquema e escrevi que, mesmo correndo o risco de me indispor com os Glauberes e Nelsons Pereiras, iria discordar: aquele filme não prestava.

O amigo Jairo leu, gostou e resolveu bater na mesmíssima tecla.

Só que a Embrafilme despejava rios de dinheiro na Folha, com seus anúncios enormes e caríssimos. Então, por coincidência, uma semana depois ele foi demitido, a pretexto de que uma crítica sua, escrita para ser publicada no sábado, saíra só na segunda-feira, quando o filme já não estava em cartaz.

A editora da Ilustrada disse que não tinha sido avisada da urgência. Ele me garantiu que a alertara.

PARA ALÉM DA CRÍTICA DOMESTICADA - De resto, a contribuição maior que eu tentei dar foi propor uma crítica que não se limitasse aos mexericos de estúdios a que o Rubens Ewald Filho conferia tanta importância (quem namorou com quem durante as filmagens, etc.) ou à abordagem puramente técnica.

Queria que o cinema fosse tratado como algo maior. Que os temas levantados pelos filmes também fossem discutidos e aprofundados, não apenas a maneira como estavam sendo apresentados. Que se confrontasse, p. ex., o filme e a obra literária do qual ele derivava. Ou o filme e o acontecimento histórico que ele retratava.

Seria mais trabalhoso para os críticos mergulharem fundo em cada filme? Claro que seria. Mas, só assim daríamos aos espectadores subsídios para fluírem a arte em sua plenitude, como algo capaz de modificar e melhorar o ser humano.

A avaliação era do filósofo Herbert Marcuse, meu autor de cabeceira naquele tempo: a sociedade pós-industrial tenta domesticar a arte, transformando-a em entretenimento inócuo. Mas, a verdadeira arte será sempre um contraponto à realidade, servindo de ponte entre o que é e o que poderia ser. Cabe aos combatentes da utopia impedir que ela morra.

É claro que meu trabalho acabou sendo ignorado pela grande imprensa; e que, ao propor um enfoque diametralmente oposto ao que convinha ao sistema, queimei minhas chances de estabelecer-me como crítico. Acabei não conseguindo sequer sobreviver nessa área, sendo obrigado a trocá-la pelo - argh! - jornalismo econômico.

Mas, como nunca tive compromisso com o sucesso, faria tudo de novo. Afinal, disse Isaac Deutscher, há vitórias que nos aviltam e derrotas que nos dignificam.

Sendo essas as únicas opções, preferirei sempre as segundas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

JOSÉ SERRA: NADA MAIS NOS UNE

Faço minhas as palavras dos universitários que ocuparam a reitoria da Universidade de São Paulo em meados de 2008 para protestarem contra quatro decretos autoritários do governador José Serra, o qual acabou alterando-os sob vara da comunidade acadêmica e da opinião pública.

Se já então o movimento estudantil estava certo em repudiar o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes, seus motivos para justa indignação aumentariam em muito quando Serra cometeu o sacrilegio de ordenar o aquartelamento das tropas mais truculentas da Polícia Militar na Cidade Universitária, em junho/2009, daí resultando a Batalha da USP.

Soltar os gorilas e os brutamontes no campus era o que a ditadura fazia e era o que jamais esperaríamos de quem um dia lutou pela liberdade e justiça social.

E, se nada mais me une a Serra enquanto veteranos que somos do movimento estudantil, também nada mais restou do comum repúdio à ditadura militar que o levou ao exílio e me levou aos cárceres.

Pois hoje ele quer mais é que todos esqueçamos os valores que professou no passado, tanto que continua ignorando olimpicamente as sucessivas advertências que venho lançando sobre o alinhamento com a retórica falaciosa da ditadura militar que uma unidade do seu aparato policial mantém impune e impudicamente no ar.

Foi em outubro/2008 que, alertado pelo incansável Ismar C. de Souza, enderecei a Serra uma carta aberta, protestando contra os elogios que a Rota (ex-Rondas Extensivas Tobias de Aguiar) fazia, em sua página virtual, à atuação por si desenvolvida durante o regime de exceção, contribuindo com o arbítrio.

Historiei a atuação dessa unidade da Polícia Militar, criada para enfrentar a guerrilha urbana e que, depois de massacrados os combatentes da resistência à ditadura, passou a aplicar os mesmos métodos de torturas e assassinatos contra criminosos comuns.

Lembrei que o excelente livro Rota 66, do colega jornalista Caco Barcellos, documentara "4.200 casos de assassinatos cometidos pela Rota nas décadas de 1970 e 1980, tendo como vítimas, quase sempre, jovens pobres, pardos e negros (muitas vezes sem antecedentes criminais)".

E cheguei ao fulcro da questão: a Rota continuava destacando, com indisfarçável orgulho, os atentados que cometeu contra a democracia (ver, aqui, os itens História do Batalhão e Os Boinas Pretas).

Reproduzi vários trechos da página virtual, como este:
"Mais uma vez dentro da história, o Primeiro Batalhão Policial Militar 'Tobias de Aguiar', sob o comando do Ten Cel Salvador D’Aquino, é chamado a dar seqüência no seu passado heróico, desta vez no combate à Guerrilha Urbana que atormentava o povo paulista".
Aliás, tal batalhão, antes mesmo de dar origem à Rota, já cumprira papel deplorável na quartelada de 1964, atuando como força auxiliar dos golpistas das Forças Armadas. E isto também era objeto de louvação virtual:
"Marcando, desde a sua criação, a história desta nação, este Batalhão teve seu efetivo presente em inúmeras operações militares, sempre com participação decisiva e influente, demonstrando a galhardia e lealdade de seus homens, podendo ser citadas, dentre outras, as seguintes campanhas de Guerra: (...) - Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, dando início à ditadura militar com o Presidente Castelo Branco".
[Este último trecho atualmente tem um acréscimo, o de que a Rota foi coadjuvante do golpe contra Goulart "apoiando a sociedade e as Forças Armadas"! Ou seja, ainda fazem revisões para tentarem justificar o injustificável...]

Era, comentei, "a voz do passado que continua ecoando no presente, à custa dos impostos pagos pelos contribuintes paulistas".

E conclui assim a carta ao Serra:
"...em nome do seu passado de exilado e em consideração ao passado de todos nós que permanecemos aqui e fomos barbarizados, peço-lhe que, pelo menos, determine que as peças de comunicação do seu Governo passem a ser as aceitáveis numa democracia. Isto se não lhe apetecer tomar a atitude mais pertinente, que já está atrasada em um quarto de século: desativar a Rota!".
Comprovando que, na contramão do exemplo inesquecível do companheiro-presidente Salvador Allende, Serra agora trata os ex-companheiros com empáfia de governador, ele nem sequer se dignou a responder!

Recebi uma enxurrada de mensagens de defensores da Rota, incluindo ameaças ostensivas ou veladas, enviadas tanto ao meu e-mail quanto aos meus dois blogues.

Minha resposta a essa campanha articulada foi o artigo Não desviarei da Rota, de dezembro/2008. Reafirmei tudo que anteriormente dissera e acrescentei:
"...aconselho a Rota a apagar do seu site as loas a operações por ela desenvolvidas durante a ditadura, as quais, em todo o mundo civilizado, hoje têm uma imagem tão negativa quanto as chacinas da Gestapo".
Em janeiro/2009, o portal Brasil de Fato fez uma reportagem na esteira de minhas denúncias, ouvindo o oficial de Planejamento e Operações da Rota, 1º Tenente Gerson Pelegatti, que qualificou as exaltações à ditadura militar como "um grande equívoco" e prometeu tirar a página do ar para que fosse feita "uma limpeza geral".

Disse que a identificação com a ditadura não correspondia mais ao pensamento dos policiais. E garantiu que as correções seriam feitas com a máxima rapidez possível.

Pois bem, um ano depois continua tudo na mesma, com a página da Rota carecendo ainda de "uma limpeza geral" para removerem-se as imundícies denunciadas por mim e pelo Brasil de Fato.

O tenente Pelegatti faltou com a palavra, não cumprindo sua promessa de corrigir o "grande equívoco". Aonde foi parar a honra militar?

Quanto a José Serra, não se mostrou à altura nem da sua posição atual de governador numa democracia, nem do seu passado de presidente da UNE e de perseguido político. Quer mesmo é se mostrar confiável ao grande empresariado.

Uma Presidência da República compensará a completa descaracterização de Serra (que parece seguir sofregamente os passos de Carlos Lacerda, com grande chance de também nunca alcançar a prenda almejada...)?

Prefiro ficar com o Evangelho:
"Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mateus, 16:26)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DE MARCO AURÉLIO PARA GILMAR MENDES: "QUE NÃO SE REPITA A AUTOFAGIA"!!!

Depois de um ministro guerreiro (Joaquim Barbosa), foi a vez de um sofisticado (Marco Aurélio Mello) colocar o dedo na ferida do Supremo Tribunal Federal, chamando às falas o inacreditável presidente Gilmar Mendes.

Fê-lo no final de sua histórica decisão de negar o habeas corpus ao governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda:
"Outrora houve dias natalinos. Hoje avizinha-se a festa pagã do carnaval. Que não se repita a autofagia".
A alusão foi ao indecoroso desfecho do caso Sean Goldman.

Marco Aurélio havia determinado que, antes da entrega do garoto de 9 anos ao pai estadunidense, fosse-lhe dada a oportunidade de manifestar seus sentimentos aos ministros do STF, até então sonegada pelo Judiciário brasileiro. Afinal, estava se decidindo o destino de um ser humano consciente como se fosse o de uma coisa.

Um senador dos EUA estalou o chicote, iniciando chantagem explícita contra o Brasil: até que a mercadoria fosse despachada, ele iria embargar a extensão para 2010 de um programa de isenção tarifária que beneficia as exportações brasileiras.

Aproveitando o recesso do Supremo, o plantonista Gilmar Mendes correu a capitular diante do ultimato do parlamentar da Nova Jersey. Que importam a felicidade de um garoto e a dignidade nacional, quando os exportadores poderiam ter um prejuízo de US$ 3 bilhões?

[De quebra, ele também utilizou o período em que podia decidir sozinho para colocar na rua o estuprador serial Roger Abdelmassih, após quatro míseros meses de prisão preventiva...]

Então, Marco Aurélio tem justificado temor de que Mendes atropele de novo o colegiado e dê um jeito de atender ao anseio quase unânime dos políticos profissionais, temerosos de que a desgraça do Arruda abra caminho para a detenção de outros contraventores chapa branca.

Em entrevista publicada nesta 2ª feira (15) pela Folha de S. Paulo, ele assim explica o recado que mandou a Mendes:
"...foi mais um alerta, para compreendermos que ombreando nós não podemos estar cassando, sob pena de descrédito para o Judiciário, a decisão do colega. Temos um órgão acima de nós próprios, que é o colegiado.

Até hoje, eu não compreendi aquela cassação, muito menos mediante mandado de segurança impetrado contra liminar concedida em habeas corpus, apenas para preservar o quadro existente à época até o julgamento pelo colegiado. Então, quis realmente alertar para a impossibilidade de tornarmos uma prática a autofagia".
Uma notícia ruim e uma boa para o Marco Aurélio.

A ruim é que a desmoralização do STF vai prosseguir enquanto estiver sob a batuta do pior presidente de sua História.

A boa, para ele e para todos os brasileiros com espírito de justiça, é que tal pesadelo terminará daqui a dois meses.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

GASPARI: UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

Já flagrei o jornalista e historiador Elio Gaspari na posição simplesmente indefensável de considerar fidedignas as informações acerca de resistentes contidas nos dossiês ensanguentados e emporcalhados da ditadura militar.

Por dar crédito àquele lixo, ele andou lançando acusações injustas e até levou puxão de orelha público, na sentença de um juiz.
Gaspari continua repetindo, como papagaio, a falácia que um escrevinhador de segunda categoria introduziu e os serviços de informações das Forças Armadas encamparam, martelando-a à maneira de Goebbels, durante o auge do terrorismo de estado no Brasil: o de qualificar como "terroristas" ações características dos movimentos de resistência à tirania.

Pelos mesmos crítérios, teriam de ser considerados
terroristas os quadros da Resistência Francesa que dinamitaram pontes, explodiram quartéis, atentaram contra nazistas, executaram colaboracionistas, etc., derramando sangue (inclusive de inocentes, pois um ou outro sempre apanha as sobras) em escala infinitamente superior à dos resistentes brasileiros.

Os franceses discordam, honrando-os como os heróis e mártires que realmente foram.

Só no Brasil é que há tamanha ingratidão em relação àqueles que salvaram a dignidade nacional, travando uma luta praticamente suicida, tamanha era a desigualdade de forças. Pelo menos, não foram todos os brasileiros que se resignaram a viver debaixo das botas.

Mas, voltando a Gaspari, seria injusto impugnarmos tudo que ele escreve em função desse preconceito contra os resistentes que trilharam o difícil caminho das armas.

Vai daí que, com exceção da referência a um "surto terrorista" que não houve nem serviria como justificativa para as atrocidades cometidas pelo regime militar, é das mais oportunas a análise de Gaspari sobre o último episódio de insubordinação fardada, na sua coluna dominical. Tanto que a reproduzirei na íntegra:
A ANARQUIA MILITAR É PRAGA
DO SÉCULO PASSADO


Indisciplinas como a do general Maynard começam com palavras, mas acabam em golpes, tortura e morte


A EXONERAÇÃO do general Maynard Santa Rosa do Departamento-Geral de Pessoal do Exército veio bem e veio tarde. Ele deveria ter sido disciplinado quando criticou a conduta do governo na demarcação da reserva indígena de Roraima. Um cidadão tem todo o direito de achar que a Comissão da Verdade será uma "Comissão da Calúnia", mas militar, de cabo a general, não pode expressar publicamente suas opiniões políticas. Muito menos atacar um decreto presidencial.

Foram muitas as pragas da vida brasileira no século passado. Uma das piores foi a anarquia militar. Entre os 18 do Forte de 1922 e a bomba do Riocentro de 1981, ocorreram pelo menos 20 episódios relevantes de insubordinação militar, um a cada três anos. Alguns fracassaram, outros prevaleceram. Uns tiveram apoio popular, outros foram produto da pura vontade dos quartéis. Uns agradaram à esquerda, outros, à direita.

Em mais de meio século de anarquia, a pior bagunça ocorreu precisamente durante os 21 anos de ditadura militar. Em 1969, o país virou uma casa da mãe joana. O presidente Costa e Silva teve uma isquemia cerebral, seu sucessor legal, o vice Pedro Aleixo, foi impedido de assumir o cargo e a cúpula militar resolveu escolher seu sucessor.

Os generais entendiam que o povo não tinha a educação necessária para escolher um presidente. E aí? Quem escolhe? Os comandantes militares? Nem pensar, assim como voto do enfermeiro não podia valer o mesmo que o de um médico, o de um general que comandava uma mesa não valia a mesma coisa que o de um comandante de tropa. Fez-se a eleição mais manipulada da história nacional. Tão manipulada que não se conhecem nem sequer as regras do processo que escolheu o general Emilio Medici. Sobrevivem apenas duas tabelas que não fazem nexo.

Durante a ditadura, a anarquia produziu e institucionalizou um aparelho repressivo que se deu à delinquência da tortura, do assassinato de cidadãos e do extermínio de militantes de organizações esquerdistas. Começaram combatendo os grupos que, entre 1966 e 1973, se lançaram num surto terrorista. Terminaram com um pedaço dessa máquina fazendo seu próprio terrorismo, botando bombas em instituições acadêmicas, bancas de jornais e entidades como a OAB e a ABI.

Quem namora pronunciamentos militares deve contemplar duas fotografias: a dos 18 do Forte, heroica, com os oficiais caminhando desafiadoramente pela avenida Atlântica, alguns deles para a morte, e a do Puma do Riocentro com o corpo dilacerado do sargento do DOI. São cenas diferentes, mas têm a mesma nascente.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

BOTARAM FANTASIA DE PRESO NO ARRUDA

“Parece que uma das características do carnaval é dar aos escravos de qualquer época o direito de criticar e zombar de seus senhores”, avaliou a pesquisadora Eneida, em sua História do Carnaval Carioca.

Bem dentro desse espírito, o Superior Tribunal de Justiça colocou o (des)governador do Distrito Federal José Roberto Arruda atrás de grades -- apenas simbólicas, já que passou a noite de 5ª para 6ª feira confortavelmente instalado no gabinete da diretoria do Instituto Nacional de Criminalística.

E ninguém duvida de que o Supremo Tribunal Federal acabará soltando Arruda, cujo azar foi seu pedido de habeas corpus ter caído nas mãos do ministro Marco Aurélio Mello, um dos que honram a toga.

Ele adiou a decisão por faltarem alguns elementos para análise liminar da ação... e, provavelmente, para que Arruda recebesse ao menos uma punição moral.

Em último caso, entretanto, o presidente Gilmar Mendes dará um jeito de restabelecer a ordem natural das coisas.

Até nosso bom Lula teria lamentado, segundo um assessor próximo, que os acontecimentos houvessem chegado ao ponto de ser pedida a prisão de um governador.

Cá com meus botões, apostaria que a possibilidade de Arruda ser finalmente expelido do governo é muito maior do que a de passar uma temporada preso.

Fico me lembrando de como os militantes revolucionários dos anos 60 encarávamos tais casos de corrupção: nós os víamos como intrínsecos ao capitalismo, e não meramente circunstanciais.

Ou seja, só teriam fim a partir de uma mudança profunda da organização econômica, política e social do País.

Para quem considera que a propriedade é o roubo (anarquistas) ou que o capitalismo se alicerça sobre a usurpação individual de parte do produto do trabalho coletivo (marxistas), é esta a distorção suprema de nossa sociedade, não a corrupção dos políticos -- os quais devem ser tidos como meros ladrões de galinhas, na comparação com os banqueiros e os grandes empresários.

Os tão alardeados prejuízos que os políticos causam aos pagadores de impostos são irrisórios, insignificantes ao extremo, em relação à rapinagem legalizada que o capital pratica contra a totalidade dos brasileiros.

Mas, claro, interessa ao sistema, por meio de sua indústria cultural, manter a plebe ignara sempre mesmerizada pela árvore e incapaz de perceber a floresta por trás dela.

O combate à corrupção fornece catarse para as massas e, em momentos de crise, enseja mobilizações golpistas. Não por acaso, foi um dos principais motes da quartelada de 1964, apelidada de redentora porque se propunha a moralizar os costumes políticos brasileiros.

Daí a amarga crítica feita pelos revolucionários mais consequentes aos agrupamentos de esquerda que, embarcando nos desvarios populistas, ajudaram a minar o governo João Goulart, ao fazerem coro às acusações lançadas pela direita. No fundo, só serviram para colocar azeitona na empada dos golpistas.

O "HOMEM DA VASSOURA" E O "ROUBA-MAS-FAZ"

As desventuras momentâneas do Arruda lembram episódios do populismo pré-1964, como a acusação feita a Adhemar de Barros (o rouba-mas-faz anterior a Paulo Maluf), de que em 1949 abusara de seu poder como governador paulista para obter um empréstimo irregular do Banco do Estado de São Paulo, visando à aquisição de dez automóveis Chevrolet.

A denúncia foi exumada em 1956 por Jânio Quadros, que se definia politicamente como o anti-Adhemar.

Jânio tinha como símbolo a vassoura, que serviria para varrer a roubalheira do rato Adhemar. E, na esperança de liquidar politicamente o rival, arrancou do Tribunal de Justiça de São Paulo sua tardia condenação a dois anos de reclusão, por peculato.

Acabaram sendo apenas dois meses de exílio na Bolívia, para onde fugiu.

Beneficiado por habeas corpus do STF (Gilmar Mendes teve predecessores...), Adhemar de Barros voltou em triunfo, elegeu-se prefeito da capital e, em seguida, governador do Estado, posição a partir da qual apoiou fortemente o esquema golpista de 1964.

Já Jânio Quadros, o caçador de roedores que inspiraria o caçador de marajás, alcançou a Presidência em 1960, com a maior votação até então obtida por um candidato ao posto máximo da República, vencendo de forma esmagadora o marechal Henrique Lott.

Fez um governo anedótico, entre 31/01/1961 e 25/08/1961, ocupando-se de ninharias como a proibição das rinhas de galo, do lança-perfume nos bailes de carnaval e do televisionamento de concursos de miss nos quais as ditas cujas trajassem biquinis.

Ao renunciar na esperança de que o povo o reconduzisse ao poder com poderes ampliados, abriu, isto sim, as portas para as duas tentativas dos conspiradores militares: a que fracassou em 1961 e a que resultou em 1964.

Invertendo a frase célebre de Hegel, as farsas do populismo criaram condições para a tragédia que se abateu por 21 anos sobre o Brasil.

IMPUNIDADE APÓS A REDEMOCRATIZAÇÃO

É claro que a atual impunidade dos poderosos -- de Pimenta Neves até José Sarney, passando por banqueiros como Dantas e mensaleiros como Palocci -- ofende profundamente o espírito de justiça de que todos nós somos dotados, segundo Platão.

O Brasil consegue ser o pior dos mundos possíveis, com a inclemência capitalista elevada ao máximo e nem sombra da igualdade de todos perante a lei que é erigida em valor importante nos países capitalistas avançados (muito deixa de vir à tona, claro, mas quando figurões são flagrados, dificilmente escapam da punição).

Vai daí que que o opróbrio de um Arruda nos lava a alma, depois de tantos episódios que tiveram desfechos pífios.

Mas, é pouco e por aí não chegaremos a lugar nenhum: o verdadeiro desafio continua sendo o de mudarmos as estruturas.

P.S.: no início da tarde, saiu a decisão do ministro Marco Aurélio, negando o habeas corpus a Arruda, que permanecerá preso pelo menos até a 4ª feira de cinzas, quando o STF vai apreciar seu caso. Aí, a tendência é de que poderes mais altos se alevantem, como diria Camões...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O RESCALDO DO EPISÓDIO DO TIRO PELA CULATRA

O tiro disparado pelo general Maynard Marques de Santa Rosa contra a Comissão da Verdade saiu pela culatra: não atingiu o alvo e só vitimou o atirador inepto, que mirava alto e acabou acertando o próprio pé.
O noticiário desta 5ª feira (11) nos permite entender melhor o porquê da escolha deste momento para a provocação do militar linha dura -- ao qual, exatamente por suas trapalhadas, referi-me num texto anterior como o incrível general Brancaleone, fazendo blague com o filme clássico do diretor italiano Mario Monicelli, O Incrível Exército Brancaleone.

É que o Gen. Maynard está prestes a passar à reserva. Em data emblemática, o próximo dia 31 de março, ele vai concluir 12 anos de generalato e terá de trocar a farda pelo pijama.

Vai daí que ele vislumbrou a oportunidade para uma última bravata, depois de haver irritado seus superiores com as críticas à posição do governo no caso da reserva indigena Raposa/Serra do Sol; e a contestação da Estratégia Nacional de Defesa, bem como do novo organograma das Forças Armadas (motivo de uma primeira punição que havia sofrido, o afastamento do Ministério da Defesa).

Também pegaram mal suas acusações às Organizações Não Governamentais que atuam na Amazônia, imputando-lhes crimes que vão do tráfico de drogas e de armas até a espionagem.

Se, conforme os números que ele próprio apresentou, é de 100 mil o número dessas ONGs, vamos supor que 10 delas ajam com propósitos desvirtuados. Seriam 0,0001% as infratoras e 99,9999% as idôneas, sem nenhuma contradição com as afirmações do Gen. Maynard.

Ou seja, foi o tipo da acusação vaga e irresponsável, proferida apenas para atiçar os militares e a opinião pública contra as ONGs, além de constranger o Governo Federal e os estaduais (que estariam fechando os olhos a tais crimes).

Então, não por pertencer à extrema-direita ou por constar das listas de antigos torturadores, mas sim como encrenqueiro exibido, ele estava na alça de mira do ministro da Defesa.

Aí a Folha de S. Paulo informou que o Gen. Maynard redigira uma nota extremamente ofensiva à Comissão da Verdade e a seus integrantes -- a qual, na verdade, estava circulando na caserna há duas semanas e havia sido efusivamente reproduzida em sites militares e espaços virtuais da extrema-direita.

Era um desafio óbvio à autoridade do comandante supremo das Forças Armadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável último pela instituição do colegiado a que o Gen. Maynard se referiu pejorativamente como Comissão da Calúnia.

É provável que o militar insubmisso almejasse mesmo ser enquadrado como infrator do Regulamento Disciplinar do Exército, o que implicaria a realização de um longo e controverso julgamento. Que melhor canto do cisne para ele do que tornar-se o símbolo (um Capitão Dreyfus às avessas...) em torno do qual se uniriam os reacionários e golpistas de sempre?

Nelson Jobim, entretanto, mostrou perspicácia, ao propor sua exoneração, imediatamente aceita pelo comandante do Exército e pelo presidente Lula.

Não se trata de um real castigo, pois o Gen. Maynard está, como a colunista Eliane Cantanhêde escreveu, "indo fazer nada no gabinete do comandante até 31 de março, quando cai na reserva".

Não houve prejuízo formal, sua pensão não será cortada ou reduzida, nada disso. Então, inexistem motivos fortes para outros militares solidarizarem-se a ele, salvo os que compartilham suas posições ultradireitistas.

E estes, eu já afirmei várias vezes, são em número bem menor do que os estritamente profissionais, que só querem cuidar de sua vida e de sua carreira.

Mas, a decisão superior foi anunciada de forma extremamente vexatória para o Brancaleone brasileiro. O comunicado à imprensa diz que o afastamento "foi motivado por declarações feitas pelo general, e disseminadas publicamente, contra a Comissão da Verdade, criada por decreto presidencial após negociação entre vários ministérios, e com participação do Ministério da Defesa".

Ou seja, recebeu um puxão de orelhas público e foi devolvido à sua nada épica condição de veterano em contagem regressiva para a aposentadoria.
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