No dia 27 de dezembro de 2008 o estado de Israel desencadeou na faixa de Gaza uma matança cujo balanço final foi o assassinato de 1.387 palestinos, 56% dos quais (773) eram civis,.enquanto as baixas israelenses se limitaram a dez militares e três civis.
Ou seja, para cada israelense morto, mais de cem palestinos tombaram -- proporção típica das retaliações nazistas em territórios ocupados, durante a II Guerra Mundial.
O chocante relatório dos investigadores da ONU --constatando, inclusive, que Israel utilizou escudos humanos, empregou contra a população civil uma substância (o fósforo branco) proibida tanto pela Convenção de Genebra quanto pela Convenção de Armas Químicas, destruiu plantações com escavadeiras e bombardeou 200 fábricas que jamais poderiam ser consideradas objetivos militares--, não produziria nenhum resultado concreto.
Eis meu artigo do dia 28, Carnificina foi o presente de Israel aos palestinos:
"Cerca de mil palestinos, incluindo mulheres e crianças, foram atingidos pelas bombas que Israel disparou na faixa de Gaza.
Não houve, sequer, a preocupação de escolher horários em que houvesse menos pessoas nas ruas.
Foi uma agressão bestial, repulsiva, inominável.
Todo indivíduo, grupo ou nação que, sofrendo ataques de inimigos identificados, retalia indiscriminadamente em civis inocentes, é um réprobo aos olhos da civilização.
Os judeus parecem um triste exemplo de vítimas que, ao tornarem-se poderosas, acabaram reproduzindo as piores práticas dos seus carrascos.
Tudo que havia de belo e nobre no sonho da nação judaica virou uma caricatura grotesca:
- os kibutzim cada vez mais deixam de ser comunidades coletivas voluntárias, de inspiração socialista, para assemelharem-se às empresas capitalistas, inclusive contratando trabalhadores em regime assalariado;
- a perspectiva de viver em harmonia com os vizinhos cedeu lugar à mentalidade de bunker, com todas as distorções decorrentes (a absoluta falta de compaixão pelos não-judeus, encarados como não-pessoas, em primeiro lugar); e
- a milenar tradição humanista do povo judeu hoje está em frangalhos, depois de décadas de carnificinas cometidas contra os povos árabes, sobejamente incapazes de resistir à superioridade militar israelense.
Israel é mais uma utopia que virou distopia, um 1917 que se tornou 1984 orwelliano. Lamento profundamente.
Mas, nunca deixarei de registrar minha indignação e meu protesto contra matanças como esta que os israelenses, emblematicamente, cometeram dois dias após o Natal".


2 comentários:
O artigo é um primor. As informações são trágicas, são doídas demais. A mídia murdochista internacionl omite, distorce, falsifica tanto as informações, que a maioria das pessoas acham que todos os árabes são uns loucos terroristas. Não conhecem o sofrimento do povo palestino. nem ouvem falar.Parabéns por nunca deixar o assunto cair no esquecimento.
ao contrario - e provado que uma maioria da imprensa mundial e contra israel e em favor da palestina. nacoes unidas tambem. dilma e por ai. entao vamos empurrar os judeos no mar, ne? acaba logo com esse problema. ja que eles nao tem nada a ver com aquele lugar e sempre viveu bem nos outros paises do mundo sem nem um problema de perseguicao nem massacre. vive os palestinos - um povo antigo e respectador, que transformou a deserta numa flor.
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