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| No 7º FIC (1972), o amargo fim: muitos artistas e pouco talento no palco. |
A INÚTIL E AGÔNICA BUSCA DO APOGEU PERDIDO
No 4º Festival da Música Popular Brasileira, que a Record realizou em outubro/novembro de 1968, a censura já dava as cartas, toda poderosa.
Como novidade, houve duas relações de premiados.
O júri especial (críticos e artistas ilustres) escolheu "São, São Paulo, meu amor", de Tom Zé, seguida de "Memórias de Marta Saré" (Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri), "Divino Maravilhoso" (os autores Caetano e Gil, até em razão da má experiência com o FIC, cederam a música e o palco para a tímida Maria das Graças se metamorfosear na agressiva Gal, sob óbvia influência de Janis Joplin), "2001" (Tom Zé/Rita Lee) e "Dia da Graça" (Sérgio Ricardo).
"Marta Saré" também foi vice na votação popular, enquanto o tributo sarcástico de Tom Zé a São Paulo ficou apenas em 5º lugar.
O povo preferiu a xaroposa "Bem-vinda", outra canção convencional e atemporal que Chico Buarque compôs no ano de maior efervescência política e cultural em nossa história recente.
Em 3º, uma curiosa parceria entre Ary Toledo e Chico Anísio, para enaltecer o clã dos Kennedy: "A Família".
O 4º foi para "Bonita", estranha guarânia de um Geraldo Vandré que parecia presentir a tragédia que se abateria sobre ele.
Inacreditavelmente, a magnífica "Sentinela", de Milton Nascimento, não entrou em nenhuma das listas. Talvez porque o júri especial sabia tratar-se de um tributo velado a "Chê" Guevara, enquanto os cidadãos comuns o ignoravam...
No 4º FIC, em setembro de 1969, vitória de "Cantiga para Luciana", de Edmundo Sout e Paulinho Tapajós.
Nas colocações seguintes, outras musiquinhas rasteiras.
E pensar que concorriam "Gotham City" (Macalé/Capinan), "Ando Meio Desligado" (Mutantes) e a antológica "Charles Anjo 45" (Jorge Ben)!!! Incompetência sem limite...
O 5º FIC, em outubro de 1970, lançou Ivan Lins (2º lugar, com "O amor é meu país", dele e Ronaldo Monteiro) e Gonzaguinha (4º, com "Um abraço terno em você, viu, mãe".
Sueli Costa ficou em 3º, com "Encouraçado", dela e Tite Lemos.
E quem venceu, acreditem, foi a intragável "BR-3", de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, projetando Tony Tornado -- cuja carreira principal logo se tornaria a de ator secundário em pornochanchadas.
No 6º FIC, setembro de 1971, os artistas mais renomados tramaram um protesto contra a censura quando o festival estivesse sendo transmitido ao vivo para o Brasil e outros países.
A TV Globo ficou sabendo (espalhou-se, sem qualquer prova ou testemunho, que o delator teria sido o Wilson Simonal) e, inviabilizada a surpresa, os grandes nomes retiraram em bloco suas composições.
Vitória de "Kyrie", de Paulinho Soares e Marcelo Silva.
A 3ª colocada, "Desacato", foi a única que emplacou em termos comerciais. Artisticamente, nenhuma.
Finalmente, no 7º FIC, setembro de 1972, a TV Globo teve que destituir o júri para premiar sua preferida, "Fio Maravilha", de Jorge Ben, com Maria Alcina.
Fim de feira apropriado para um ciclo que, na verdade, tinha terminado em dezembro de 1968, quando o Ato Institucional nº 5 impôs ao País a paz dos cemitérios, sufocando as energias criativas dos artistas, que não puderam mais cumprir seu papel de antenas da raça.
Fim de feira apropriado para um ciclo que, na verdade, tinha terminado em dezembro de 1968, quando o Ato Institucional nº 5 impôs ao País a paz dos cemitérios, sufocando as energias criativas dos artistas, que não puderam mais cumprir seu papel de antenas da raça.
Melancólico, o derradeiro FIC deixou, pelo menos, uma semente: "Cabeça", de Walter Franco, lançou o experimentalismo pós-tropicalista que vicejaria nos anos seguintes, com Jards Macalé, Jorge Mautner, Hermeto Paschoal, Naná Vasconcellos, Wagner Tiso, Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, entre outros.
Obs.: trabalhando numa editora de publicações musicais entre 1979 e 1984,
fiz aprofundadas pesquisas sobre os grandes festivais de MPB e o programa
"O Fino da Bossa", para redigir os textos de edições dedicadas a cada um desses
temas. Depois, em 1983, reuni o que havia de mais significativo nesse material
todo no nº 54 da revista "Especial". Exatamente por dar uma visão ao mesmo
tempo sintética e abrangente do período mais fértil e criativo de toda a história da
música brasileira, foi a versão de 1973 que decidi digitar e editar para o blogue.
fiz aprofundadas pesquisas sobre os grandes festivais de MPB e o programa
"O Fino da Bossa", para redigir os textos de edições dedicadas a cada um desses
temas. Depois, em 1983, reuni o que havia de mais significativo nesse material
todo no nº 54 da revista "Especial". Exatamente por dar uma visão ao mesmo
tempo sintética e abrangente do período mais fértil e criativo de toda a história da
música brasileira, foi a versão de 1973 que decidi digitar e editar para o blogue.

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